Um grupo de oito senadores brasileiros está em Washington, nos Estados Unidos, para tentar abrir diálogo com congressistas norte-americanos e buscar alternativas às tarifas de 50% anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump sobre produtos importados do Brasil. As medidas devem entrar em vigor na próxima sexta-feira (1º).
A missão parlamentar é liderada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), e inclui encontros com parlamentares norte-americanos, entre republicanos e democratas, além de reuniões com representantes da Embaixada do Brasil, empresários e executivos de multinacionais como Cargill, ExxonMobil, Johnson & Johnson e Caterpillar.
Em declaração após reunião com a U.S. Chamber of Commerce, Trad afirmou que o objetivo é criar um ambiente político favorável para que o governo federal possa negociar a suspensão das tarifas.
“Nosso papel é distensionar o clima e abrir caminho institucional. Quem tem prerrogativa de negociar é o governo brasileiro”, explicou o senador.
A agenda oficial da missão segue até quarta-feira (30), com um encontro previsto com a Americas Society/Council of the Americas, entidade voltada à integração econômica entre os países das Américas.
Participam da comitiva os senadores Tereza Cristina (PP-MS), Marcos Pontes (PL-SP), Jaques Wagner (PT-BA), Rogério Carvalho (PT-SE), Carlos Viana (Podemos-MG), Fernando Farias (MDB-AL) e Esperidião Amin (PP-SC).
Reação do governo
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta segunda-feira (28) que o governo brasileiro já está negociando com os EUA por canais institucionais e com “discrição”.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, reforçou o caráter estratégico da missão parlamentar:
“Nosso foco é proteger a economia brasileira e preservar uma relação diplomática histórica de mais de 200 anos”, disse.
Entenda o caso
Em 9 de julho, o ex-presidente Donald Trump anunciou a aplicação de tarifas extras de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil. O republicano justificou a medida alegando “desequilíbrio nas relações comerciais”, apesar de o Brasil registrar déficit com os EUA há 17 anos consecutivos.
Trump também citou restrições brasileiras a plataformas digitais americanas e a investigação sobre tentativa de golpe de Estado envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro como razões adicionais para as sanções.
Além disso, autoridades americanas abriram investigação contra o sistema de pagamentos Pix, sob alegação de possível prática desleal que afetaria o mercado de empresas como Visa, MasterCard e WhatsApp Pay, da Meta.
*Com informações da Agência Brasil



