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Saiba o que O Agente Secreto tem a comemorar após decepção no Oscar

Mesmo com a torcida e a esperança brasileira, o Brasil não levou nenhuma das cinco categorias que disputava no Oscar 2026. O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, perdeu em Melhor Elenco para Uma Batalha Após a Outra; em Melhor Filme Internacional para Valor Sentimental; e em Melhor Ator e Melhor Filme para Pecadores. O diretor de fotografia Adolpho Veloso também não levou a estatueta pelo filme estadunidense Sonhos de Trem.

Especialistas afirmam que, apesar das derrotas no Oscar, o filme brasileiro tem muito o que comemorar. A avaliação é de que a trajetória do longa nacional até a maior premiação do cinema mundial alavanca ainda mais a importância da arte feita no Brasil, enquanto as perdas não invalidam a relevância do potencial dos profissionais brasileiros.

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Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho nos bastidores de O Agente Secreto

Wagner Moura e Tânia Maria em O Agente Secreto
Wagner Moura em cena do filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho
Wagner Moura em cena do filme O Agente Secreto

“O Agente Secreto já produziu um efeito estrutural. O simples fato de ter circulado com força no circuito internacional, acumulando indicações e vitórias relevantes, especialmente em festivais como o Festival de Cannes, reposiciona o cinema brasileiro como potência criativa contemporânea, não apenas como memória de um passado glorioso”, afirma Gabriel Amora, jornalista e crítico de cinema.

“Não existe um panorama em que O Agente Secreto saia moralmente derrotado. A campanha foi muito bem-sucedida”, completa Cyntia Calhado, pesquisadora e professora universitária do curso de Cinema e Audiovisual da ESPM.

É importante lembrar que, para além das indicações de Ainda Estou Aqui – vencedor da categoria Melhor Filme Internacional no Oscar 2025 – e O Agente Secreto, o Brasil já foi indicado ao Oscar outras 13 vezes nas mais diversas categorias, considerando filmes nacionais e coproduções com outros países.

Brasil no Oscar

  • Orfeu Negro (1960)
  • O Pagador de Promessas (1963)
  • Raoni (1979)
  • O Beijo da Mulher-Aranha (1986)
  • O Quatrilho (1996)
  • O Que É Isso, Companheiro? (1998)
  • Central do Brasil (1999)
  • Uma História de Futebol (2001)
  • Cidade de Deus (2004)
  • Lixo Extraordinário (2011)
  • O Sal da Terra (2015)
  • O Menino e o Mundo (2016)
  • Democracia em Vertigem (2020)

Impactos na indústria

A cineasta Cíntia Domit Bittar garante que o destaque em premiações internacionais também causa impacto direto na indústria, “como o fortalecimento da receptividade ao cinema brasileiro independente dentro do próprio país, ampliando o interesse do público e a busca por filmes nacionais”.

O título brasileiro ganhou destaque nas premiações Critics Choice Awards e Globo de Ouro. No ano passado, o longa Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, conquistou o mesmo feito, levando a categoria de Melhor Filme Internacional no Oscar 2025.

“No momento, O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui se configuram como exceções. O cinema brasileiro sempre produziu obras extraordinárias, mas o reconhecimento internacional em escala industrial depende de continuidade, de políticas públicas estáveis e de estratégias consistentes de circulação. Sem isso, cada conquista pode ser tratada como um evento isolado, e não como parte de uma presença permanente”, pondera Cíntia.

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Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui

Pôster de Ainda Estou Aqui (2024)
Cena do filme Ainda Estou Aqui

E daqui para frente?

Estamos vendo uma fase de ouro da cinematografia brasileira no sentido de prestígio internacional. Esse impacto será muito duradouro.

Pierre Grangeiro, historiador e membro-fundador do Cineclube 24 Quadros

Para os especialistas, a permanência de filmes brasileiros em destaque mundial depende da reorganização para transformar prestígio em política de continuidade.

“Quando um longa como Ainda Estou Aqui alcança repercussão internacional e, no ano seguinte, O Agente Secreto mantém o Brasil em evidência, cria-se uma narrativa de consistência. O mundo deixa de olhar para o cinema brasileiro como ‘surpresa exótica’ e passa a enxergá-lo como produção recorrente de alto nível“, explica Gabriel, que completa:

“Mas isso exige ecossistema, como a existência de editais estáveis, distribuição estratégica, formação de público e integração com o mercado internacional. Se houver política cultural consistente, esses filmes deixam de ser exceções e passam a ser parte de uma nova fase. Se não houver, correm o risco de virar apenas picos isolados numa curva irregular.”

Cíntia finaliza garantindo que, apesar do prestígio de uma estatueta do Oscar, a premiação não é responsável por consolidar um filme como marco histórico. “A trajetória de O Agente Secreto o consolida como um grande marco, desde o estrondo no Festival de Cannes 2025, quando já saiu recordista”, garante.

 

Fonte: Metrópoles

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