O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) participou, nesta terça-feira (29), de uma motociata em Brasília, ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nomes cotados para disputar a Presidência em 2026, já que Bolsonaro segue inelegível. Apesar da presença, ele não discursou durante o ato.
A manifestação, que teve início no festival Capital Moto Week, na Granja do Torto, foi impulsionada por apoiadores e motociclistas presentes no evento anual de motos e rock. A motociata percorreu um trajeto até a Rodoviária do Plano Piloto, sem passar pela Esplanada dos Ministérios. Bolsonaro seguiu o percurso em um carro de som, de onde acenou e sorriu para o público, mas evitou declarações públicas.
No veículo também estavam os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Hélio Lopes (PL-RJ), além do senador Marcos Rogério (PL-RO).
Segundo aliados, o ex-presidente não pilotou moto por questões de saúde. Pela manhã, ele afirmou que a decisão foi motivada por uma “medida restritiva da dona Michelle”. Em anos anteriores, Bolsonaro participou ativamente de motociatas, que se tornaram um dos principais símbolos de sua gestão entre 2021 e 2022.
A ausência de discurso ocorre em meio às restrições impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais, impedimento de sair de Brasília e de frequentar embaixadas. A decisão foi reforçada após Bolsonaro mostrar o equipamento a jornalistas no dia 21, o que levou Moraes a ameaçar prendê-lo por descumprimento das medidas.
Apesar disso, Moraes esclareceu que o ex-presidente não está impedido de dar entrevistas ou participar de eventos públicos, desde que não utilize terceiros para burlar as proibições. A preocupação é evitar a manutenção de supostas “atividades criminosas” em redes sociais por meio de terceiros.
Durante a motociata, apoiadores exibiram bandeiras do Brasil, dos Estados Unidos e de Israel, além de faixas com dizeres como “Bolsotrump” e “Trumpnaro”, mesmo diante do recente “tarifaço” anunciado por Donald Trump, que ameaça sobretaxar produtos brasileiros. A medida foi associada a pressões políticas da família Bolsonaro.
Em meio ao desgaste político, a estratégia bolsonarista segue voltada à mobilização popular. Ao longo do trajeto, houve gritos por “liberdade” e pedidos para que Bolsonaro se candidate novamente, ignorando sua inelegibilidade. Uma das últimas aparições públicas do ex-presidente foi em um culto religioso, no dia 23, em Taguatinga (DF), onde chorou durante uma pregação feita por Michelle.
Aliados planejam novas manifestações para o próximo domingo (3), em diversas cidades do país. Os atos são tratados como uma preparação para o feriado de 7 de Setembro, tradicionalmente marcado por grandes mobilizações bolsonaristas.
*Com informações do Mais Goiás



