quinta-feira, 23 julho
19.1 C
Brasília

Com maioria formada, STF retoma julgamento sobre responsabilidade das redes sociais

Plenário já tem 7 votos a favor da responsabilização das plataformas por conteúdos ilegais publicados por usuários

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma na próxima quarta-feira (25) o julgamento que pode redefinir a responsabilidade civil das redes sociais por conteúdos ilícitos publicados por seus usuários. O caso tem repercussão geral e, ao final, deve gerar uma tese obrigatória a ser seguida por todos os tribunais do país.

Até o momento, o plenário já formou maioria de 7 votos a 1 a favor da responsabilização das plataformas, sem necessidade de decisão judicial prévia para a retirada de determinados conteúdos.

O que está em jogo

O julgamento gira em torno do artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), que prevê que empresas só podem ser responsabilizadas civilmente por postagens de terceiros caso descumpram uma ordem judicial de remoção.

Relatores dos recursos, os ministros Dias Toffoli e Luiz Fux consideraram o dispositivo inconstitucional por conferir “imunidade indevida” às plataformas. Ambos defenderam que a retirada de conteúdo possa ser exigida a partir de uma simples notificação extrajudicial da vítima.

Votos da maioria

Acompanharam os votos dos relatores os ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, com variações sobre a extensão da responsabilização.

Barroso e Dino propuseram que, nos casos de crimes contra a honra (como calúnia, injúria e difamação), ainda seja exigida ordem judicial. Já Gilmar Mendes sugeriu três regimes de responsabilidade: aplicação geral do artigo 21 (que permite remoção extrajudicial), uso residual do artigo 19 em crimes contra a honra, e responsabilização direta em casos de impulsionamento e anúncios ilegais.

Alexandre de Moraes foi mais incisivo e defendeu que redes sociais devem ser tratadas como empresas de mídia, assumindo responsabilidade plena pelos conteúdos que veiculam.

Divergência

O único voto contrário até agora é do ministro André Mendonça, que defende a manutenção do artigo 19. Para ele, a responsabilidade das plataformas só deve ocorrer após descumprimento de ordem judicial, para não ferir a liberdade de expressão.

Ainda faltam votar os ministros Edson Fachin e Cármen Lúcia.

Reação das big techs

O julgamento é acompanhado com atenção por gigantes da tecnologia como Google e Meta. Representantes do setor alertaram, durante sustentação oral, que uma eventual responsabilização prévia pode levar à censura e prejudicar a liberdade de expressão. Argumentam ainda que já removem conteúdos ilegais extrajudicialmente, de forma proativa.

O que pode mudar

Se a maioria for confirmada com a fixação de tese, as plataformas poderão ser obrigadas a remover publicações consideradas ilegais assim que notificadas, sem a necessidade de ordem judicial, ao menos nos casos fora dos crimes contra a honra.

O desfecho pode impactar diretamente a forma como as redes operam no Brasil, especialmente no combate à desinformação, discurso de ódio e ataques à democracia.

*Com informações da Agência Brasil

Mais vistas

Master repassou R$ 3,6 bilhões em dívidas para gestora investigada

O Banco Master repassou ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de...

Empresário foi morto após ser atraído para emboscada por amigo

O empresário Marcelo Magalhães de Almeida, de 31 anos, morto...

SP: coronéis da PM são citados em investigação contra banco do PCC

Nomes de integrantes da cúpula da Polícia Militar do...

Governo deve se reunir com setores afetados por tarifaço dos EUA

O governo deve se reunir com representantes dos setores...

PM morta em BH tinha marcas de chicotada; marido alega sexo consensual

Belo Horizonte – A capitã da PMMG Michele Leão Azevedo,...

Últimas Notícias

Master repassou R$ 3,6 bilhões em dívidas para gestora investigada

O Banco Master repassou ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de...

Empresário foi morto após ser atraído para emboscada por amigo

O empresário Marcelo Magalhães de Almeida, de 31 anos, morto...

SP: coronéis da PM são citados em investigação contra banco do PCC

Nomes de integrantes da cúpula da Polícia Militar do...

Governo deve se reunir com setores afetados por tarifaço dos EUA

O governo deve se reunir com representantes dos setores...

PM morta em BH tinha marcas de chicotada; marido alega sexo consensual

Belo Horizonte – A capitã da PMMG Michele Leão Azevedo,...

Sargento leva esposa capitã da PM morta a hospital em BH e é preso

Belo Horizonte – Um sargento da Polícia Militar de Minas Gerais foi...

Master repassou R$ 28 milhões a secretário após ser autorizado a operar cartão consignado

O Banco Master registrou ter emprestado R$ 28 milhões a empresas...

Real Time Big Data: 50% desaprovam governo Lula e 46% aprovam

O trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é...
spot_img

Artigos relacionados

Categorias Populares

spot_imgspot_img