Governo indica Omar Aziz para a presidência; oposição pressiona por espaço e aposta em nomes de forte presença digital
Os partidos no Congresso iniciaram os debates para definir os 60 nomes, 30 titulares e 30 suplentes, que irão compor a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A escolha seguirá o critério da proporcionalidade partidária, favorecendo os maiores blocos.
O PSD foi o primeiro a anunciar seus indicados: o deputado Sidney Leite (PSD-AM) como titular e Carlos Sampaio (PSD-SP) como suplente. Para a presidência da CPMI, o governo deve indicar o senador Omar Aziz (PSD-AM), nome experiente e aliado do Planalto. Aziz já presidiu a CPI da Covid, em 2021, e é visto como um perfil técnico e pragmático.
A relatoria — cargo mais cobiçado — tende a ficar com um nome do centrão, por articulação do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A base governista defende que o relator tenha postura investigativa, mas sem transformar a comissão em palanque eleitoral. A estratégia do governo é evitar que o caso das fraudes no INSS, reveladas em operação da PF e CGU, seja politizado e atrelado ao Executivo.
Oposição aposta em nomes de alto impacto
O PL, principal articulador da CPMI, ainda não oficializou seus indicados, mas deverá ter seis vagas (titulares e suplentes). A legenda estuda incluir nomes com grande visibilidade, como os deputados Coronel Chrisóstomo (PL-RO), Coronel Fernanda (PL-MT) e Nikolas Ferreira (PL-MG), que tem forte influência nas redes sociais. Ferreira é visto como peça estratégica da oposição por seu histórico de desgaste ao governo em episódios anteriores.
O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), ex-ministro da Secom, foi o primeiro nome confirmado pelo PT para integrar a comissão. No Senado, os petistas devem definir seus representantes em reunião remota marcada para o dia 24. O líder da bancada, senador Rogério Carvalho (PT-SE), afirmou que o partido buscará nomes combativos.
As investigações vão mirar um esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas, iniciado em 2019, que causou prejuízos aos segurados e ganhou notoriedade após operação da PF.
Instalação da CPMI pode ficar para o segundo semestre
Para que a comissão seja instalada, os partidos precisam concluir as indicações, e o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), deve marcar a data da sessão inaugural. A eleição do presidente e vice será o primeiro passo dos trabalhos e, embora seja formalmente votada, costuma seguir acordos previamente costurados.
Só após essa etapa o relator será oficializado. Com o recesso parlamentar se aproximando (previsto para 18 de julho), há expectativa de que a CPMI só comece efetivamente suas atividades no segundo semestre.
*Com informações da CNN Brasil e MSN.com



