O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta semana uma escalada na guerra comercial ao ameaçar impor tarifas de 30% sobre as importações do México e da União Europeia (UE) a partir de 1º de agosto. A medida, divulgada em cartas enviadas aos líderes dos países, visa pressionar aliados e parceiros comerciais importantes para renegociações e redução do déficit comercial dos EUA.
Em mensagens divulgadas no Truth Social, rede social ligada a Trump, ele avisou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a presidente do México, Claudia Sheinbaum, que, caso não haja um acordo comercial abrangente até a data-limite, as tarifas entrarão em vigor, afetando a circulação de produtos entre os blocos.
A União Europeia, composta por 27 países, e o México figuram entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, com o México ultrapassando a China como maior fornecedor em 2023, graças ao livre comércio e à proximidade geográfica.
Segundo Trump, a imposição das tarifas tem como objetivo também pressionar a UE a eliminar suas próprias tarifas, abrindo completamente o mercado americano para os europeus sem barreiras tarifárias. “A União Europeia permitirá o acesso completo e aberto ao mercado dos Estados Unidos, sem que nenhuma tarifa seja cobrada de nós, em uma tentativa de reduzir o grande déficit comercial”, escreveu o presidente americano.
A presidente da Comissão Europeia reagiu afirmando que as tarifas ameaçadas interromperiam cadeias de suprimentos essenciais e prejudicam empresas e consumidores em ambos os lados do Atlântico. Von der Leyen destacou que a UE continuará trabalhando para um acordo, mas não hesitará em adotar contramedidas proporcionais para proteger seus interesses.
Além de México e UE, Trump enviou cartas a 23 outros parceiros comerciais, como Canadá, Japão e Brasil, indicando tarifas que variam entre 20% e 50%, incluindo uma taxa de 50% sobre o cobre. O Canadá, por exemplo, foi notificado sobre uma tarifa de 35%, com justificativas ligadas ao combate ao tráfico de fentanil, mesmo que dados mostram que o México é responsável pela maior parte das apreensões da droga na fronteira.
No contexto da escalada tarifária, os Estados Unidos já arrecadaram mais de US$100 bilhões em receitas alfandegárias no ano fiscal até junho, segundo dados do Tesouro americano. A imposição de tarifas gera tensões e incertezas para o comércio global, afetando cadeias produtivas e relações diplomáticas.
O governo mexicano ainda não se posicionou oficialmente sobre a ameaça de tarifas, enquanto a União Europeia enfrenta pressões internas para definir uma postura firme ou buscar um acordo rápido que beneficie sua indústria, principalmente a alemã, ao mesmo tempo em que resiste a ceder unilateralmente aos termos americanos.
Entenda o impacto das tarifas de Trump
As tarifas anunciadas podem aumentar os custos de produtos importados nos Estados Unidos, afetando consumidores e empresas que dependem da cadeia global de suprimentos. Além disso, a medida pode provocar retaliações comerciais, prejudicando exportadores mexicanos e europeus e elevando as tensões políticas entre os países.
Especialistas alertam que a escalada das tarifas poderá impactar diretamente o comércio internacional, especialmente em setores industriais estratégicos, além de trazer desafios para a estabilidade econômica na América do Norte e na Europa.
A decisão de Trump de impor tarifas de até 30% contra México e União Europeia marca uma nova fase da guerra comercial que já vinha se desenrolando desde o início de seu mandato. Com prazo até agosto para negociações, os próximos dias serão decisivos para definir se haverá um acordo ou uma intensificação ainda maior dos conflitos comerciais entre os EUA e seus principais parceiros globais.
Fonte: Agência Brasil



