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Senadores embarcam para os EUA em tentativa de reverter tarifa de Trump

Uma comitiva de senadores brasileiros parte nesta sexta-feira (25) para Washington, capital dos Estados Unidos, com o objetivo de retomar o diálogo com o Congresso norte-americano e buscar a reversão da tarifa de 50% imposta pelo presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros. A nova taxação entra em vigor em 1º de agosto.

As reuniões com empresários e parlamentares norte-americanos ocorrerão entre segunda (28) e quarta-feira (30). Entre os setores mais afetados estão indústria, agronegócio, suco de laranja, carne e a Embraer.

Muitos setores estão sendo duramente impactados, com risco de demissões em massa. Estamos otimistas de que o diálogo possa reverter essa medida, afirmou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores e da comissão temporária criada para tratar do tema.

Embora a negociação de tarifas seja atribuição do Poder Executivo, Trad destacou que a missão cumpre o papel constitucional do Senado de defender os interesses nacionais.

Além dele, integram a comitiva os senadores Tereza Cristina (PP-MS), Jaques Wagner (PT-BA), Fernando Farias (MDB-AL), Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), Esperidião Amin (PP-SC), Rogério Carvalho (PT-SE) e Carlos Viana (Podemos-MG).

Tarifa e tensões diplomáticas

Trump anunciou a tarifa via redes sociais no último dia 9. Justificou a medida alegando desequilíbrio comercial, mesmo com superávit dos EUA de US$ 1,7 bilhão no semestre, e citou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como parte da motivação.

Na avaliação de Nelsinho Trad, a relação entre países deve ser baseada em pragmatismo e estabilidade institucional:

“O comércio internacional não pode ser tratado como campo de batalha ideológica. É uma agenda de Estado voltada à geração de empregos e oportunidades”, afirmou.

A senadora Tereza Cristina criticou a resposta do governo brasileiro até o momento e cobrou atuação mais firme:

“Não basta uma carta. É preciso uma proposta concreta e negociação direta. Só assim avançaremos”, disse.

Articulação diplomática

Em reunião virtual com o chanceler Mauro Vieira e a embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Viotti, os senadores foram informados sobre articulações com o setor privado americano e o Departamento do Tesouro. Segundo o Itamaraty, nos últimos 15 anos os EUA registraram, em média, superávit anual de US$ 410 milhões nas trocas com o Brasil.

Reações no Congresso

O anúncio gerou reações imediatas no Congresso. Durante reunião da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senadores cobraram uma resposta mais contundente do governo federal. Em nota conjunta, os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, defenderam a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada em abril, que prevê medidas de retaliação a barreiras comerciais impostas a produtos brasileiros.

Vamos defender a soberania nacional e os empregos no Brasil. Esse processo deve ser liderado pelo Executivo, mas com apoio do Congresso, afirmou Alcolumbre, após reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

Trump já havia ameaçado aplicar tarifas em abril, mas a medida não se concretizou à época. Agora, com outros países já tendo negociado condições mais favoráveis, como a China, que enfrentou tarifas de até 150%, o Brasil busca evitar prejuízos comerciais severos.

*Com informações da Agência Senado

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