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Sem cabelo do INSS: mordaça ou estratégia

Carlos Camilo, o “Careca do INSS” desiste de depor na CPMI deixando os parlamentares com a pulga atrás da orelha

Por Mino Pedrosa

O dia que prometia ser histórico virou enigma político. Faltando poucas horas para a sessão, Antônio Carlos Camilo Antunes, o famigerado “Careca do INSS”, comunicou ao presidente da CPMI que não vai mais depor. O que parecia recuo pode, na verdade, ser a jogada mais ousada do lobista: calar-se para mostrar força.

A mensagem é clara: se não falar, já diz muito. O silêncio ecoa pelos corredores de Brasília como uma ameaça velada — prova de que ele tem cartas suficientes para derrubar peças graúdas e que sua ausência no púlpito foi suficiente para paralisar a engrenagem política e administrativa.

A Polícia Federal não deixa dúvidas: o lobista movimentou cifras exorbitantes, irrigando um sistema que une entidades fantasmas, servidores cúmplices e a alta cúpula da autarquia. O que deveria ser rede de proteção virou indústria da rapinagem.

A engrenagem do saque

De um lado, o núcleo privado: associações de fachada, clubes invisíveis sugando aposentados indefesos. O Careca era o maestro do butim — fechava contratos, distribuía propinas e mantinha a roda girando.

Do outro, o núcleo institucional: decisões internas do INSS que, em vez de barrar a fraude, abriram as porteiras. A Instrução Normativa nº 162/2024 exigia biometria e assinatura eletrônica, mas a cúpula da autarquia entregou justamente às entidades suspeitas o poder de colher digitais. Foi como dar a chave do cofre aos ladrões.

Essa simbiose entre lobby e máquina pública não foi omissão inocente. Foi conivência. Foi cálculo frio. Foi estratégia para manter vivo um esquema bilionário que sangra os mais frágeis.

O palco da CPMI: silêncio que fala alto

A desistência de depor é, em si, um gesto eloquente. Ao se recusar a falar, o “Careca” manda um recado direto: ele sabe, ele guarda segredos e, se cair, não pretende cair sozinho. A elite burocrática e política entendeu o aviso. Brasília treme não pelo que ele disse, mas justamente pelo que preferiu não dizer.

E como se não bastasse, paira no ar uma nuvem ainda mais tóxica: o escândalo dos “chupa-cabras” instalados nos andares da alta gestão do INSS em 2024. Aparelhagem clandestina para espionagem interna. O que foi apurado? Nada. O caso sumiu dos relatórios, como se alguém tivesse mandado varrer o lixo para debaixo do tapete.

Mais inquietante: a Diretoria de TI ainda protege um ex-diretor afastado, denunciado e — vejam só — sócio de empresas com atuação ligada à Previdência. Quem o sustenta? Por quê? E o detalhe que arrepia: o ouvidor-geral do INSS era sócio desse mesmo ex-diretor de TI. Ele, que deveria acolher as milhares de denúncias dos segurados sobre os descontos, virou guardião do silêncio. Como confiar na imparcialidade de uma Ouvidoria que foi retirada da Governança e colocada diretamente sob o comando do então presidente do INSS — hoje afastado pela Justiça? A CGU não desconfiou de nada ao aprovar sua nomeação?

A sessão da CPMI, que deveria ser palco de revelações, terminou em um silêncio mais devastador do que qualquer palavra. Ao desistir de depor, o “Careca do INSS” transformou a própria ausência em espetáculo de poder. Não precisou abrir a boca para que Brasília parasse, porque todos sabem exatamente o que ele diria: que o submundo do crime segue operando nos bastidores, intocado, protegido e alimentado pela engrenagem bilionária que corre por dentro da máquina pública. A careca reluzente não apareceu na mesa da CPMI, mas sua sombra deixou claro: os intocáveis já não dormem em paz.

 

 

 

Fonte: Fatos Online

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