As amigas paulistas Lúcia Helena Canhada Lopes, 68, e Maria Eli Silva, 58, estavam na manifestação organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), em Brasília, quando foram atingidas por um raio no domingo (25/1).
Lúcia recebeu atendimento médico e foi liberada sem maiores complicações. Maria, no entanto, está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Apesar do susto, elas dizem encarar a situação com leveza.
“Não tenho arrependimento, de maneira alguma. Participei de uma luta por Justiça. Mesmo que nós tivéssemos morrido, estava tudo bem. Foi uma coisa da natureza, acontece. Deus nos protegeu e ninguém morreu. Eu e Maria conversamos agora há pouco sobre isso. Ela está muito tranquila. Nossa família ficou muito orgulhosa de nós”, afirmou Lúcia ao Metrópoles.
Segundo a mulher, o quadro da amiga é estável. Havia expectativa de alta nesta quarta-feira (28/1), mas os médicos optaram por manter Maria na UTI enquanto realizam mais alguns exames.
Raio durante manifestação
- Segundo Corpo de Bombeiros do DF, 89 pessoas foram atendidas na Praça do Cruzeiro durante o ato encabeçado por Nikolas;
- A maioria apresentava quadro de hipotermia;
- 47 pessoas foram transportadas pelas equipes do CBMDF para unidades de saúde do DF;
- 11 demandaram maiores cuidados médicos em função do raio que atingiu o local;
- Segundo o Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), 27 pessoas deram entrada no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) após serem atingidas por descarga elétrica.
- Outras 14 foram atendidas no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN).
- Não há registro de mortos.
Lúcia disse estar recebendo muito apoio de políticos e citou a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que entrou em contato na terça-feira (27/1). Perguntada, ela não detalhou se também foi procurada por Nikolas.
A mulher ainda rejeitou a ideia de entrar para a política: “Não quero, porque eu viajo muito, sou muito livre. Cada hora eu estou em um lugar. Mas tento ajudar, estou sempre conversando com as pessoas.”
Viagem de São Paulo
Lúcia e Maria se conhecem há mais de 40 anos. Acostumadas a viajar juntas, as amigas decidiram sair de São Paulo para Brasília após receberem um vídeo do deputado.
“No dia 21/01 ela mandou um vídeo do Nikolas e disse: estou morrendo de vontade de estar lá dia 25. Eu, muito maluquinha, disse: ‘vamos’. Mas passe em casa antes e pegue a chave com a vizinha para pegar as roupas e bandeiras” contou Lucia.
As duas amigas estavam juntas e foram atingidas pelo raio na manifestação. Lucia e Maria estavam ao lado do guindaste que foi atingido por um raio. Ao Metrópoles, Lucia contou que caiu ao chão quando o raio atingiu o solo e temeu pela amiga.
“Eu caí, ouvi um estrondo absurdo achando que era atentado. Quando acordei, alguém me levantou e vi minha amiga sendo levada para debaixo da tenta azul. Tive a impressão que iria perdê-la de vista, foi horrível. Logo um bombeiro veio e a colocou nas costas e fomos para outra tenda, e daí para o [hospital] HRAN. Eu achei que ela tinha morrido, demorou um tempo para voltar, não conseguia falar e vomitava muito”, descreveu Lucia em detalhes.
Ela também precisou de atendimento médico, mas o procedimento durou cerca de quatro horas. “Tive uma hemorragia no tímpano, com um som forte, como som de cigarra“, detalhou.
De alta hospitalar, agora, Lucia acompanha Maria no hospital. “Se a gente voltará para casa, será transferida para outro quarto ou hospital, não sabemos de nada. Mas podem ficar tranquilos que está tudo bem, tudo sob controle.”
Fonte: Metrópoles



