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Produção brasileira de café pode atingir 66,2 milhões de sacas em 2026; especialista comenta

A produção brasileira de café caminha para atingir um marco histórico em 2026. Segundo projeções da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgada nesta quinta-feira, 5, o país poderá colher 66,2 milhões de sacas beneficiadas, um crescimento de 17,1% em relação ao ciclo anterior. O resultado, se confirmado, superará o recorde de 2020, quando foram colhidas 63,1 milhões de sacas.

Em entrevista ao Jornal Opção, o gerente técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG), Leonardo Machado, explicou os fatores que sustentam essa expectativa.

Leonardo Machado, gerente técnico do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (IFAG) | Foto: Divulgação

Leonardo destacou que o avanço da safra se deve a dois pontos principais: aumento da área em produção e maior produtividade. “Quando a gente fala de crescimento de área, é de café que começa a entrar em estágio produtivo, onde o produtor já começa a fazer a colheita. O café é uma planta perene, demora três a quatro anos para começar a produzir. Então esse crescimento vem de plantas que foram semeadas há dois ou três anos”, afirmou.

O especialista ressaltou que, apesar de 2025 ter começado com dificuldades climáticas, as chuvas se regularizaram nos meses seguintes. “Tivemos melhoria das chuvas em novembro, dezembro e janeiro. Estimamos que fevereiro continue bem. Tudo isso favorece demais a produção de café. Então toda essa expectativa deve resultar numa safra recorde agora em 2026”, disse.

Leonardo ponderou, no entanto, que a agricultura é uma “indústria a céu aberto” e depende de fatores climáticos até a colheita. “A colheita deve acontecer em março e abril. Até lá precisamos de boas condições de chuva para o enchimento dos grãos e, depois, de um período com pouca chuva para permitir a colheita. A expectativa é boa, mas ainda tem um caminho até lá”, alertou.

Sobre os tipos de café, Leonardo explicou que o Arábica deve puxar o crescimento, com previsão de 44,1 milhões de sacas, alta de 23,3% em relação a 2025. “O Arábica é o café de melhor qualidade, aquele que encontramos nas cafeterias e cápsulas. Já o Conilon é de menor qualidade, usado nas misturas vendidas em supermercados. É muito bom ter crescimento maior no Arábica, que tem maior valor agregado e é o principal café exportado pelo Brasil”, afirmou.

O Conilon também deve crescer, com estimativa de 22,1 milhões de sacas, aumento de 6,4% frente ao ciclo anterior.

Leonardo destacou que práticas modernas de manejo têm papel decisivo no aumento da produtividade. “Falamos principalmente de adubação e fertilidade do solo. Quanto mais se investe nisso, maior a resposta produtiva. O manejo eficiente de pragas reduz perdas. Além disso, há podas, irrigação em algumas áreas e melhorias culturais que interferem diretamente na produtividade”, explicou.

Questionado sobre a expansão de 4,1% na área em produção, Leonardo esclareceu que não se trata de novas áreas abertas, mas de reaproveitamento. “O café ocupa uma área por muito tempo. O que acontece é que você corta aquela área que ficou velha para plantar outra. Então é mais um reaproveitamento de área”, disse.

O especialista também comentou a chamada bienalidade do café Arábica, que ajuda a explicar o crescimento expressivo em 2026. “O café tem um ano de produção cheia e outro de produção mais baixa. Ele só dá fruto nos ramos que crescem. Então há um ciclo de um ano e meio de crescimento e meio ano de produção. É uma expectativa normal do setor”, detalhou.

Leonardo avaliou que a safra recorde pode provocar queda temporária nos preços internos, mas não deve alterar significativamente o cenário internacional. “O café é uma commodity, o preço é formado em bolsas internacionais. O Brasil está com estimativa de grande produção, mas o Vietnã, segundo maior produtor, deve ter queda. Além disso, nossos estoques estão apertados. Então pode haver redução no momento da colheita, mas a tendência é de preços elevados no longo prazo”, afirmou.

Segundo ele, a queda nos preços internos deve durar pouco. “No máximo quatro meses. Sazonalmente, março, abril e maio são os preços mais baixos do café. Mas em junho já começa a subir e em julho volta à normalidade”, explicou.

Leonardo Machado reforçou que a expectativa é positiva e que o Brasil deve consolidar sua posição como maior produtor mundial. “Basicamente juntamos tudo bem. A safra de 2026 deve ser recorde e trazer impactos importantes para o mercado”, concluiu o gerente técnico do IFAG.

 

Fonte: Jornal Opção

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