Resultados promissores fortalecem base científica para protocolo clínico em humanos
Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) apontam resultados promissores nos ensaios pré-clínicos com células-tronco de suínos como alternativa terapêutica para pacientes acometidos por síndromes respiratórias agudas graves (Covid-19). Conforme a coordenadora do projeto, professora Patrícia Furtado Malard, o estudo em modelo suíno está em estágio avançado. “Já observamos resultados promissores em termos de segurança, resposta inflamatória e parâmetros clínicos, o que fortalece a base científica para a próxima fase, que é o protocolo clínico em humanos”, observa.
A Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) atua viabilizando a gestão administrativa e financeira do projeto, fruto de uma articulação entre instituições públicas e privadas, e que é desenvolvido com recursos do CNPq para enfrentamento da COVID-19. Também participam a Universidade Católica de Brasília (UCB) e a Empresa Bio Stem Biotecnologia, parceira tecnológica especializada na produção e aplicação de terapias celulares com foco translacional e clínico.
Patrícia Malard lembra que ao longo da execução do projeto (abril de 2004 a março 2025) alguns ajustes foram feitos. “A principal mudança foi a readequação do calendário de atividades, em função da complexidade do projeto em relação à aprovação pelo comitê de ética, dos atrasos na entrega de insumos importados e da necessidade de ajustes técnicos nos protocolos de indução da síndrome respiratória aguda em suínos”, relata ao complementar: “Apesar dessas alterações, os objetivos centrais do projeto foram mantidos, e conseguimos avançar com qualidade e rigor científico”.
A professora destaca que o projeto, embora ainda não esteja na etapa de aplicação em pacientes, contribui de forma significativa para o aprendizado da comunidade acadêmica com o envolvimento ativo de alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores. “O projeto também tem fomentado discussões importantes sobre protocolos regulatórios e bioética, fundamentais para a formação em biotecnologia translacional” ressalta.
Execução
O Projeto é desenvolvido por uma equipe multidisciplinar composta por pesquisadores da UnB; da Universidade Católica de Brasília (UCB) e representantes da iniciativa privada. Também integram o time, profissionais da área de biotecnologia, medicina veterinária, medicina humana e bioengenharia, todos com sólida experiência em cultivo celular, terapia celular e desenvolvimento pré-clínico. “A participação conjunta de diferentes departamentos e instituições tem sido essencial para o sucesso técnico e científico do projeto” garante a coordenadora.
Do ponto de vista científico e acadêmico, o projeto beneficia diretamente alunos, professores e pesquisadores envolvidos, ampliando sua formação prática em terapia celular, experimentação animal e análise clínica. No aspecto social e de saúde pública, a expectativa é contribuir com novas alternativas terapêuticas para pacientes com quadros respiratórios graves, como os decorrentes da Covid-19, ajudando a reduzir tempo de internação e taxa de mortalidade. Os resultados também beneficiarão o setor de biotecnologia nacional.
“Para a sociedade, o projeto representa esperança de novas terapias seguras e eficazes. Para a comunidade acadêmica, é uma oportunidade concreta de aprendizado prático, produção científica e inserção em uma rede nacional de pesquisa. E, para as instituições envolvidas, fortalece o papel da ciência brasileira como protagonista na geração de soluções avançadas e independentes, valorizando o conhecimento local com perspectiva global”, resume a professora Patrícia.



