Um estudo publicado nesta segunda-feira (22) na revista Nature Communications aponta que a pandemia de covid-19 acelerou o envelhecimento cerebral da população em até 5,5 meses, mesmo entre pessoas que não foram infectadas pelo vírus.
A pesquisa, liderada pela Universidade de Nottingham, no Reino Unido, analisou exames de imagem e testes cognitivos de cerca de mil adultos antes e depois da pandemia. Os resultados indicam que o estresse prolongado e as mudanças no estilo de vida durante o período de isolamento social podem ter impactado diretamente a estrutura e o funcionamento do cérebro.
O envelhecimento cerebral, diferente da idade cronológica, é um marcador biológico relacionado à função cognitiva. Alterações nessa medida podem indicar maior risco para problemas de memória, sensoriais e emocionais.
Segundo os pesquisadores, os efeitos foram mais pronunciados em idosos, homens e pessoas de baixa renda. Apesar disso, os cientistas acreditam que o processo pode ser reversível.
“A pandemia pressionou a vida das pessoas, especialmente as mais vulneráveis. Ainda não sabemos se os efeitos serão permanentes, mas há esperança de reversão”, afirmou a neurocientista Dorothee Auer, coautora do estudo.
A análise utilizou dados de mais de 15 mil exames cerebrais pré-pandemia para treinar um algoritmo de inteligência artificial capaz de estimar a “idade cerebral”. Esse modelo foi então aplicado a exames de 996 adultos antes e depois da pandemia. O grupo que viveu o período pandêmico apresentou envelhecimento acelerado, mesmo sem infecção por covid.
Contudo, os prejuízos cognitivos, como perda de flexibilidade mental e lentidão de raciocínio, foram observados apenas em pacientes que contraíram a doença.
Pesquisadores agora investigam os fatores genéticos e ambientais que podem ter intensificado os impactos do isolamento e do estresse sobre o cérebro. Em paralelo, neurocientistas destacam que hábitos como atividade física, sono de qualidade, alimentação equilibrada e estímulo intelectual podem ajudar a restaurar a saúde cerebral.
“Esse estudo reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à saúde mental e ao envelhecimento saudável no pós-pandemia”, declarou Maria Mavrikaki, da Harvard Medical School.
*Com informações da Istoé



