Documento alerta para risco de apagões no horário de pico e aponta necessidade de leilões e acionamento de térmicas
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) defende a retomada do horário de verão como uma das medidas para enfrentar o risco de insuficiência de potência no sistema elétrico brasileiro nos próximos anos. A proposta consta no Plano da Operação Energética 2025 (PEN 2025), divulgado nesta terça-feira (8), que avalia o atendimento do Sistema Interligado Nacional (SIN) entre 2025 e 2029.
Segundo o ONS, o país enfrentará dificuldades para suprir a demanda nos horários de pico, especialmente no fim da tarde e início da noite, devido ao avanço de fontes intermitentes como solar e eólica, que têm baixa produção nesse período. Para evitar falhas no fornecimento, o documento prevê o acionamento de usinas térmicas e recomenda alternativas como a possível volta do horário de verão, suspenso desde 2019.
A adoção do horário de verão, segundo o operador, dependerá das projeções de atendimento dos próximos meses.
Alerta de déficit e necessidade de leilões
O plano aponta que o risco de falta de potência (LOLP) será violado em todos os anos avaliados: entre agosto e dezembro de 2026, de agosto de 2027 a abril de 2028 e de julho de 2028 a dezembro de 2029. O documento reforça a urgência de realizar leilões anuais de reserva de capacidade, suspensos desde 2023, para contratar geração de energia firme.
Um leilão estava previsto para junho deste ano, mas foi cancelado após o Ministério de Minas e Energia revogar a portaria com as regras do certame. Segundo a Aneel, um novo leilão poderá ser realizado caso o governo publique nova regulamentação.
Embora o plano preveja o uso crescente de térmicas, o ONS desaconselha a contratação de usinas com longo tempo de acionamento ou baixa flexibilidade. O sistema, segundo o órgão, exige geração despachável que possa responder rapidamente à variação da demanda ao longo do dia, especialmente à noite.
Crescimento da matriz solar
O ONS estima que a capacidade instalada de geração no Brasil chegará a 268 GW até 2029, um acréscimo de 36 GW em relação a 2024. A energia solar, incluindo a mini e microgeração distribuída (MMGD), deve se tornar a segunda maior fonte do país até o fim da década, com 32,9% da matriz elétrica.
Novas demandas e desafios
O documento também destaca o impacto das chamadas “cargas especiais”, como data centers e plantas de hidrogênio verde, que exigem grande fornecimento de energia contínua, especialmente no horário noturno, pressionando ainda mais a estabilidade do sistema.
*Com informações da Agência Brasil



