A região central do Texas vive uma de suas maiores tragédias recentes após fortes enchentes atingirem diversas cidades, deixando ao menos 104 mortos e dezenas de desaparecidos. Segundo autoridades locais, as buscas continuam, mas a esperança de encontrar sobreviventes diminui a cada dia. Muitas das vítimas são crianças, e uma das áreas mais atingidas foi o acampamento cristão Camp Mystic, em Kerrville.
O desastre começou após uma forte chuva durante a madrugada de sexta-feira, 4, que transformou o Rio Guadalupe em uma correnteza violenta. O local, que abrigava um retiro cristão de verão para meninas, registrou a morte de 27 pessoas, entre campistas e monitoras. Até esta segunda-feira, 7, 10 meninas e uma monitora continuavam desaparecidas, enquanto equipes de resgate enfrentam lama, destroços e a ameaça de novas tempestades.
De acordo com o xerife do Condado de Kerr, 84 corpos foram recuperados até a tarde de ontem, sendo 56 adultos e 28 crianças. Além disso, mais 12 mortes foram confirmadas em cinco condados vizinhos, enquanto 41 pessoas seguem desaparecidas, segundo autoridades estaduais.
O Camp Mystic, fundado há quase cem anos às margens do Rio Guadalupe, tornou-se símbolo da tragédia. Em nota, a instituição lamentou profundamente o ocorrido: “Nossos corações estão partidos ao lado de nossas famílias que estão sofrendo essa tragédia inimaginável”, afirmou a direção do acampamento.
A situação levantou questionamentos sobre a atuação das autoridades diante dos alertas meteorológicos prévios, que indicavam risco de enchentes repentinas. Críticas recaíram sobre a ausência de um sistema de sirenes para evacuação, o que poderia ter evitado parte das mortes. O vice-governador do Texas, Dan Patrick, afirmou que o Estado está disposto a financiar a instalação do sistema em Kerrville caso os governos locais não tenham recursos.
“Deveria ter havido sirenes. Se tivéssemos sirenes aqui nessa área, é possível que tivéssemos salvado algumas vidas”, declarou Patrick à Fox News.
O prefeito de Kerrville, Joe Herring Jr., também reconheceu a gravidade do momento: “Esta será uma semana difícil”, disse, ressaltando que as buscas devem continuar nos próximos dias, embora com chances cada vez menores de encontrar sobreviventes.
Com o número de mortos já ultrapassando a marca de 100, conforme divulgado pelo New York Times, o episódio reacende a discussão sobre prevenção de desastres naturais em áreas de risco, especialmente diante do agravamento de eventos climáticos extremos.
Fonte: Agência Brasil



