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Lula mostra irritação com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado irritação crescente com a atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que apura fraudes envolvendo o Banco Master. As informações são da Folha de S.Paulo. Toffoli, que foi advogado do PT e indicado por Lula à Corte em 2009, estaria no centro de críticas reservadas do presidente, que acumula frustrações com a conduta do magistrado ao longo dos anos.

Segundo a reportagem, Lula acompanha de perto o andamento do inquérito e as repercussões políticas e institucionais do caso. Nos últimos dias, o presidente teria sinalizado a auxiliares que não pretende defender Toffoli das críticas, principalmente diante do desgaste imposto ao STF e da condução considerada excessivamente sigilosa do processo. Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários duros sobre o ministro e chegou a afirmar, em tom de desabafo, que Toffoli deveria renunciar ao cargo ou se aposentar da Corte. Apesar disso, interlocutores avaliam que o presidente dificilmente irá sugerir formalmente que o ministro se afaste da relatoria ou do tribunal. Responsável pela indicação de Toffoli ao STF, Lula acumula decepções com o ex-advogado do PT. Um dos episódios mais sensíveis ocorreu quando o ministro impediu que o presidente comparecesse ao velório do irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, em 2019, quando Lula estava preso. Toffoli pediu desculpas pelo episódio apenas em dezembro de 2022, após a eleição do petista.

Ainda de acordo com a Folha, Lula pretende chamar Toffoli para uma nova conversa a fim de tratar da condução do inquérito. O tema já havia sido discutido entre ambos no fim do ano passado. O incômodo do presidente se intensificou após reportagens revelarem vínculos de familiares do ministro com fundos de investimento ligados à estrutura do Banco Master, além da imposição de sigilo elevado sobre partes relevantes do processo.

Auxiliares relatam que Lula tem defendido publicamente o avanço das investigações e reforçado que o governo precisa demonstrar compromisso no combate a fraudes, sem proteção a figuras influentes. Em declaração recente, o presidente afirmou que “não é possível ver o pobre sendo sacrificado enquanto um cidadão dá um golpe de mais de R$ 40 bilhões”.

Nos bastidores, há também a avaliação de que o caso pode atingir setores da oposição e aliados do próprio governo, o que reforçaria a necessidade de aprofundamento das apurações. O Banco Master e seus controladores mantêm relações com políticos do centrão e com figuras ligadas ao PT na Bahia.

Desde o fim do ano passado, Lula monitora a evolução do inquérito e teria ficado especialmente intrigado com a decisão de Toffoli de colocar sob sigilo um pedido da defesa do empresário Daniel Vorcaro para levar as investigações ao STF. A medida antecedeu revelações sobre contratos de alto valor envolvendo escritórios de advocacia ligados a familiares de ministros da Corte.

Em dezembro, Lula chegou a convidar Toffoli para um almoço no Palácio do Planalto, encontro descrito como amistoso. Na ocasião, o presidente teria ressaltado que todas as irregularidades descobertas pelo governo deveriam ser levadas às últimas consequências e buscou entender se essa também era a disposição do STF, mesmo com o sigilo decretado.

Toffoli, segundo relatos, garantiu que nada seria abafado e que o sigilo era justificável. Ainda assim, o presidente passou a desconfiar de que o caso poderia terminar sem responsabilizações efetivas, o que, na avaliação de aliados, ampliou a frustração de Lula com o ministro.

A pressão sobre Toffoli aumentou após novas críticas à sua atuação, incluindo questionamentos sobre viagens, relações profissionais de familiares e negócios associados a fundos ligados ao banco investigado. O ministro tem afirmado que não vê motivos para se afastar da relatoria e sustenta que não há elementos que comprometam sua imparcialidade.

Responsável pela indicação de Toffoli ao STF, Lula acumula decepções com o ex-advogado do PT. Um dos episódios mais sensíveis ocorreu quando o ministro impediu que o presidente comparecesse ao velório do irmão, Genival Inácio da Silva, o Vavá, em 2019, quando Lula estava preso. Toffoli pediu desculpas pelo episódio apenas em dezembro de 2022, após a eleição do petista.

Fonte: Rádio Mirador

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