O presidente Lula nunca fez um mea-culpa sobre escândalos de corrupção em seu primeiro mandato, lidou com o mensalão, que consistia na compra de apoioparlamentar com recursos desviados dos cofres públicos, o que quase lhe rendeuum processo de impeachment. Reeleito em 2006, loteou a máquina pública entrediferentes partidos, incluindo no rateio a Petrobras, que se tornaria símbolo domaior esquema de corrupção até então descoberto no país, o petrolão.
Cobrado a explicar os dois casos, Lula nunca assumiu um pingo deresponsabilidade sobre eles. No caso do mensalão, chegou a dizer que foi traído,mas, depois de deixar o Palácio do Planalto com recorde de popularidade, em2010, passou a afirmar que tudo não passara de uma farsa, que ele desmontaria. Sobre a Operação Lava-Jato , apesar das provas de corrupção e da recuperaçãode bilhões de reais pela Polícia Federal, o petista sempre preferiu resumir o caso auma perseguição judicial contra ele.
Negando as evidências, o presidente defende a tese de que mensalão e petrolão foram conspirações da elite contra o primeiro projeto genuinamente popular achegar ao poder. O famoso discurso do “nós”, o povo, contra “eles”, os donos dodinheiro, convenceu parte dos eleitores durante algum tempo, mas perdeucredibilidade com o passar dos anos e, graças ao escândalo do INSS, tende a ruirde vez.
Lula alega que o roubo a aposentados e pensionistas começou no governo de
Jair Bolsonaro, que nada teria feito para detê-lo, e só foi interrompido na gestãopetista. O problema é que os valores descontados (ilegais ou não) dos seguradossaltaram de 706 milhões de reais em 2022, último ano de mandato do capitão,para 2,6 bilhões de reais em 2024. Essa expansão poderia ter sido contida se oentão ministro da Previdência, Carlos Lupi, um aliado de longa data dopresidente, tivesse agido ao ser alertado sobre o problema, ainda em 2023.
Houve, pelo menos, demora e omissão. Quem construiu a carreira política jurando proteger os mais necessitados não deveria, em hipótese alguma, permitir que elesfossem roubados.
Fonte: Veja



