Grupo coordenado por Alckmin buscará negociar recuo dos EUA e preparar plano B caso tarifa entre em vigor
O governo federal e lideranças do Centrão intensificaram as articulações para conter os efeitos da tarifa anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros. A principal iniciativa é a criação de um comitê com representantes do governo e do setor empresarial, que será coordenado pelo vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin.
A instalação do comitê está prevista para esta segunda-feira (14), ou no mais tardar, terça (15). O grupo contará também com os ministros da Fazenda e das Relações Exteriores. O objetivo é duplo: negociar o recuo de Trump e, paralelamente, construir alternativas comerciais para minimizar os impactos da medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.
Segundo interlocutores do Planalto, a orientação do presidente Lula é clara: esgotar todas as possibilidades de diálogo com os Estados Unidos, mantendo uma postura firme, porém equilibrada. A negociação será conduzida no campo estritamente econômico, sem contaminação política ou menções a temas como regulação das redes ou os processos envolvendo Jair Bolsonaro.
Comitê terá papel estratégico
O novo comitê vai reunir empresários de setores estratégicos, buscando fortalecer os argumentos contrários à tarifa e mostrar que a medida prejudica não só o Brasil, mas também a economia norte-americana. Entre os argumentos centrais está a dependência dos EUA de determinados insumos e produtos brasileiros, como no setor agropecuário.
Paralelamente, o setor privado já começa a se mobilizar. Segmentos como o de carne buscam diversificar mercados, enquanto áreas mais sensíveis, como a indústria aeronáutica, avaliam medidas para mitigar os prejuízos, embora reconheçam as limitações no curto prazo.
Plano B: retaliação e OMC
Caso as negociações fracassem, o governo trabalha em um plano B. Uma das alternativas é acionar a lei da reciprocidade econômica, que autoriza retaliações comerciais contra países que impõem barreiras aos produtos brasileiros. Apesar de aprovada pelo Congresso, a lei ainda não foi regulamentada. Alckmin afirmou que o decreto será editado até esta terça (15).
“O que tarifa lá, tarifa aqui. Mas vamos trabalhar primeiro para reverter essa decisão, que é inadequada e injustificada”, afirmou o vice-presidente, destacando ainda a possibilidade de recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Discurso unificado e estratégia nas redes
No campo político-comunicacional, o governo aposta no slogan “Brasil soberano” para unificar o discurso em torno da pauta e mobilizar a opinião pública, ao mesmo tempo em que tenta isolar o bolsonarismo. A campanha busca exaltar o interesse nacional e manter a pressão por uma solução diplomática.
Apesar da pressão e do esforço diplomático, até o momento não houve avanços concretos nas tratativas com aliados de Trump. Mesmo assim, o Planalto segue empenhado em reverter o tarifaço até o último momento.
*Com informações da CBN



