sábado, 7 março
20.5 C
Brasília

Governo e Centrão articulam reação à tarifa de Trump e criam comitê com empresários

Grupo coordenado por Alckmin buscará negociar recuo dos EUA e preparar plano B caso tarifa entre em vigor

O governo federal e lideranças do Centrão intensificaram as articulações para conter os efeitos da tarifa anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros. A principal iniciativa é a criação de um comitê com representantes do governo e do setor empresarial, que será coordenado pelo vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin.

A instalação do comitê está prevista para esta segunda-feira (14), ou no mais tardar, terça (15). O grupo contará também com os ministros da Fazenda e das Relações Exteriores. O objetivo é duplo: negociar o recuo de Trump e, paralelamente, construir alternativas comerciais para minimizar os impactos da medida, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto.

Segundo interlocutores do Planalto, a orientação do presidente Lula é clara: esgotar todas as possibilidades de diálogo com os Estados Unidos, mantendo uma postura firme, porém equilibrada. A negociação será conduzida no campo estritamente econômico, sem contaminação política ou menções a temas como regulação das redes ou os processos envolvendo Jair Bolsonaro.

Comitê terá papel estratégico

O novo comitê vai reunir empresários de setores estratégicos, buscando fortalecer os argumentos contrários à tarifa e mostrar que a medida prejudica não só o Brasil, mas também a economia norte-americana. Entre os argumentos centrais está a dependência dos EUA de determinados insumos e produtos brasileiros, como no setor agropecuário.

Paralelamente, o setor privado já começa a se mobilizar. Segmentos como o de carne buscam diversificar mercados, enquanto áreas mais sensíveis, como a indústria aeronáutica, avaliam medidas para mitigar os prejuízos, embora reconheçam as limitações no curto prazo.

Plano B: retaliação e OMC

Caso as negociações fracassem, o governo trabalha em um plano B. Uma das alternativas é acionar a lei da reciprocidade econômica, que autoriza retaliações comerciais contra países que impõem barreiras aos produtos brasileiros. Apesar de aprovada pelo Congresso, a lei ainda não foi regulamentada. Alckmin afirmou que o decreto será editado até esta terça (15).

“O que tarifa lá, tarifa aqui. Mas vamos trabalhar primeiro para reverter essa decisão, que é inadequada e injustificada”, afirmou o vice-presidente, destacando ainda a possibilidade de recurso à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Discurso unificado e estratégia nas redes

No campo político-comunicacional, o governo aposta no slogan “Brasil soberano” para unificar o discurso em torno da pauta e mobilizar a opinião pública, ao mesmo tempo em que tenta isolar o bolsonarismo. A campanha busca exaltar o interesse nacional e manter a pressão por uma solução diplomática.

Apesar da pressão e do esforço diplomático, até o momento não houve avanços concretos nas tratativas com aliados de Trump. Mesmo assim, o Planalto segue empenhado em reverter o tarifaço até o último momento.

*Com informações da CBN

Mais vistas

Ibovespa continua queda, limitado por Petrobras e crescimento da produção industrial

Disparada dos preços do petróleo e, consequentemente, das ações da Petrobras, limitaram a queda do índice, que acumulou perda de 5% na semana

DÓLAR: moeda fecha em baixa com dados do mercado de trabalho dos EUA abaixo do esperado

A sequência de altas do dólar foi interrompida pelo payroll; moeda acumulou alta de 2,14% na semana

Últimas Notícias

spot_img

Artigos relacionados

Categorias Populares

spot_imgspot_img