O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) a ordem executiva que estabelece uma tarifa de 50% sobre a importação de produtos brasileiros. A medida entra em vigor no dia 6 de agosto, uma semana após a publicação oficial.
Apesar da retaliação comercial, o governo americano preservou 694 produtos da nova taxação, entre eles suco e polpa de laranja, celulose, aeronaves, castanhas, combustíveis, fertilizantes e minérios. A lista completa está no Anexo I da ordem executiva, publicada no site da Casa Branca.
Produtos estratégicos para o Brasil, como café e carne bovina, não foram incluídos nas exceções e serão taxados, impactando setores-chave das exportações brasileiras.
A decisão provocou reações imediatas no mercado. As ações da Embraer (aeronaves) subiram 11% e as da Suzano (celulose) avançaram mais de 1% após a confirmação das exceções para seus segmentos.
O que motivou a tarifa?
O governo Trump justificou a medida como resposta a supostas práticas desleais no comércio bilateral e ao que classificou como intervenções brasileiras no setor agrícola e industrial que prejudicariam empresas americanas.
Na véspera, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, havia sinalizado que itens como café e cacau poderiam ficar fora da taxação, já que não são produzidos em larga escala nos EUA. No entanto, a versão final da medida manteve a sobretaxa sobre o café, um dos principais itens da pauta de exportações do Brasil.
Setores isentos
A lista de produtos poupados inclui diversos insumos industriais e estratégicos para a economia americana. Estão entre os principais grupos isentos:
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Combustíveis e derivados: propano, butanos, gás natural e gases de petróleo.
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Fertilizantes e químicos: óxidos metálicos, potassa cáustica, cloretos e compostos para a indústria.
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Borracha e plásticos: tubos, vedações, juntas, perfis industriais e peças automotivas.
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Celulose e papel: polpa de madeira, papel revestido e ouate de celulose.
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Minérios e metais: ferroniôbio, silício, prata bruta e produtos ferrosos.
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Aeronáutica: turbinas, turboélices, peças de motores, aeronaves não tripuladas.
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Tecnologia e eletrônicos: roteadores, circuitos, impressoras, equipamentos de telecomunicações.
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Máquinas e motores: geradores, compressores, bombas, ar-condicionado industrial.
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Instrumentos de precisão: medidores, sensores, aparelhos ópticos e de navegação.
Impacto e reação
A imposição tarifária chega em meio a crescentes tensões diplomáticas entre os dois países, especialmente após o governo Trump aplicar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e aliados do governo brasileiro se mobilizarem nos bastidores para reverter as medidas.
O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o decreto, mas a expectativa é de que o Ministério das Relações Exteriores e a Ministra da Indústria e Comércio, Marina Silva, busquem uma reavaliação da medida por vias diplomáticas e na Organização Mundial do Comércio (OMC).
*Com informações da Istoé Dinheiro



