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Escândalo Master/BRB: efeito dominó

Após assumir a gestão temerária do banco de Brasília, Nelson Antônio de Souza prepara auditoria e começa jogar no tabuleiro dos apadrinhamentos

Por Mino Pedrosa

 

A crise provocada pelas ações de comunicação com influenciadores digitais, que expôs institucionalmente o Banco de Brasília (BRB), produziu efeitos imediatos dentro da instituição. Um deles envolve o nome de Bruno Barra, ligado à empresa FLAP, cujo contrato com o banco foi suspenso, segundo relatos internos, em meio a um processo ampliado de revisão administrativa.

Funcionários do BRB afirmam que, após a repercussão negativa do episódio, o nome de Bruno Barra passou a ser citado com frequência nos corredores do banco, não apenas pela estratégia de comunicação adotada, mas também por procedimentos internos que hoje estão sob análise das áreas de governança e compliance.

De acordo com servidores ouvidos sob anonimato, Bruno Barra teria indicado integrantes da subcomissão técnica responsável por avaliar o certame publicitário do banco, em articulação com o SINAPRO-DF, entidade representativa das agências de propaganda no Distrito Federal.

Especialistas em governança avaliam que a participação de entidade de classe na indicação de avaliadores fere os princípios da impessoalidade, da isonomia e da segregação de funções, uma vez que o SINAPRO-DF representa empresas potencialmente interessadas no resultado do certame.

Custos de LED entram na mira

Além da controvérsia sobre a subcomissão, funcionários do banco relatam questionamentos relevantes sobre os custos de serviços de LED contratados no âmbito das ações conduzidas pela FLAP. Segundo esses relatos, os valores cobrados pela locação e operação dos painéis estariam significativamente acima dos parâmetros praticados no mercado, chegando, em alguns casos, a até cinco vezes o preço médio utilizado como referência pelas áreas técnicas do BRB.

Uma auditoria técnica detalhada, com análise de contratos, notas fiscais e comparativos de mercado, deverá esclarecer se houve sobrepreço ou superfaturamento. O tema já integra formalmente os procedimentos internos de revisão.

Fontes internas e especialistas em compliance avaliam que o BRB deverá adotar medidas cautelares mais rígidas, incluindo a suspensão do certame publicitário até a completa elucidação dos fatos e o afastamento preventivo de servidores que tenham mantido relação funcional ou operacional com Bruno Barra no âmbito do contrato analisado.

A avaliação predominante é de que a permanência de pessoas eventualmente ligadas aos fatos em posições sensíveis amplia o risco institucional e compromete a credibilidade da nova gestão. A segregação de funções e a eliminação de interferências externas são consideradas medidas indispensáveis.

Segundo servidores envolvidos no processo, o episódio marca um ponto de inflexão na relação do banco com antigos interlocutores externos. O que antes era tratado com naturalidade passou a ser visto como risco institucional.

Procurado, o BRB informou que mantém políticas rigorosas de compliance e governança e que todo indício de irregularidade é submetido à apuração pelos órgãos competentes. Até o momento, não há confirmação oficial de abertura de inquérito, e as análises seguem em fase preliminar.

Nos bastidores do banco, também se recorda que a contratação da FLAP ocorreu durante a gestão do então presidente Paulo Henrique Costa, afastado judicialmente. A nova direção, segundo relatos internos, trabalha com a diretriz de revisar contratos, desfazer apadrinhamentos e promover um ajuste amplo nos vínculos herdados da administração anterior.

 

Fonte: Fatos Online

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