A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (25/2), uma operação para apurar suspeitas de desvios de emendas parlamentares e manipulação de licitações em diferentes estados do país.
A ação, batizada de Operação Vassalos, foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e mira um grupo que, segundo investigadores, teria montado um esquema para direcionar contratos públicos, desviar recursos e lavar dinheiro.
A coluna apurou que o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) é um dos alvos, assim como o seu pai, o ex-senador Fernando Bezerra (MDB-PE), e o seu irmão, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho.
Ao todo, são cumpridos 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. O caso está sob relatoria do ministro Flávio Dino.
De acordo com a investigação, a organização seria formada por agentes públicos e empresários que atuavam em conjunto para indicar emendas parlamentares a determinados municípios, viabilizar convênios e, na etapa seguinte, direcionar licitações para empresas ligadas ao próprio grupo.
Parte do dinheiro, ainda segundo a PF, voltaria aos envolvidos na forma de propina, além de ser usada para aquisição e ocultação de bens.
Um dos episódios sob apuração envolve recursos destinados à cidade de Petrolina, no sertão pernambucano. O caso foi revelado pelo O Globo.
Em 2021, uma emenda de R$ 22 milhões indicada por Fernando Bezerra Coelho ajudou a financiar obras de revitalização da chamada Orla 3, às margens do Rio São Francisco. O convênio foi firmado entre a prefeitura e a Codevasf, então chefiada localmente por um ex-assessor do próprio ex-senador.
Investigadores apontam que o traçado da obra passa por área pertencente a empresa cujo sócio é irmão de Bezerra Coelho, o que levou à necessidade de desapropriação de parte do terreno.
Além disso, após a entrega da primeira etapa da revitalização, empreendimentos imobiliários começaram a ser anunciados na região, inclusive com participação de empresa ligada ao ex-prefeito Miguel Coelho, outro filho do ex-senador.
A Polícia Federal apura se a destinação da emenda, a celebração do convênio e a execução da obra atenderam a interesses privados, em vez de critérios técnicos e de interesse público.
A Operação Vassalos também investiga crimes como peculato, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e frustração do caráter competitivo de licitações. O material apreendido nas buscas será analisado e pode subsidiar novas fases da apuração.
O outro lado
O advogado da família Coelho, André Callegari, afirmou que, em análise preliminar da decisão que deferiu a busca e apreensão, esclarece que todos os recursos provenientes de emendas parlamentares foram corretamente destinados, tendo sido observada a lisura
do procedimento.
“Destacamos que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento. A defesa destaca ainda, que segundo consta na decisão do ministro Flávio Dino, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela Polícia Federal.”
O advogado afirmou que os fatos serão devidamente esclarecidos e “ficará demonstrado que não há qualquer conduta ilícita praticada pelos investigados.”
Fonte: Metrópoles






