Com 229 mil crianças sem a primeira dose da vacina DTP, país ocupa 17ª posição em ranking global de não vacinados; número representa 16,8% do total da América Latina.
O Brasil retornou ao grupo dos 20 países com maior número de crianças sem vacinação, de acordo com relatório divulgado nesta segunda-feira, 14, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O levantamento mostra que 229 mil crianças brasileiras não receberam a primeira dose da vacina tríplice bacteriana (DTP), que protege contra difteria, tétano e coqueluche.
Com esse número, o Brasil ocupa a 17ª posição no ranking global, atrás de países como Camarões e Mianmar. Na América Latina, apenas o México tem mais crianças não vacinadas, com 341 mil. O número brasileiro representa 16,8% do total de crianças sem vacinação na América Latina e no Caribe.
Cobertura vacinal no Brasil cai, mas apresenta sinais de recuperação
Historicamente, o Brasil já alcançou índices de até 99% de cobertura vacinal entre 2000 e 2012. No entanto, a partir de 2019, os números começaram a cair drasticamente, chegando a 70%. Em 2021, no auge da pandemia de Covid-19, a taxa foi ainda menor: 68%. Em 2024, houve recuperação, e a cobertura da primeira dose da DTP chegou a 91%, mas ainda abaixo do ideal.
Segundo a OMS e o Unicef, diversos fatores explicam a baixa cobertura vacinal em países como o Brasil, entre eles a dificuldade de acesso a serviços de saúde, interrupções no fornecimento, conflitos regionais e, principalmente, o avanço da desinformação sobre vacinas.
Além dos desafios internos, o relatório alerta que cortes severos na ajuda internacional também estão contribuindo para a ampliação das falhas nos sistemas de imunização, colocando milhões de crianças em risco.
“Ainda temos muito trabalho pela frente. Cortes drásticos na ajuda internacional, somados à desinformação sobre a segurança das vacinas, ameaçam desfazer décadas de progresso”, afirmou Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.
Dados globais mostram 14 milhões de crianças sem vacina
No mundo, estima-se que 14,3 milhões de crianças continuam completamente sem vacinação. Outras 20 milhões iniciaram, mas não completaram o esquema vacinal com as três doses da DTP. Por outro lado, cerca de 1 milhão a mais de crianças completaram a vacinação em relação a 2023.
Apesar dos avanços tímidos, os dados mostram retrocessos em diversas regiões. Na Europa, os casos de coqueluche triplicaram em 2024, atingindo quase 300 mil. Já os registros de sarampo dobraram e ultrapassaram 125 mil casos. Nos Estados Unidos, o cenário também é preocupante: 1.288 casos de sarampo foram registrados em 2025, no pior ano da doença em mais de duas décadas.
O retorno do Brasil à lista dos países com mais crianças sem vacina reforça a urgência de ampliar campanhas de imunização, retomar a confiança da população nas vacinas e fortalecer os serviços de saúde pública. O combate à desinformação e a oferta ativa de vacinas nas escolas, comunidades e regiões de difícil acesso são caminhos apontados por especialistas para reverter o cenário.
Fonte: Metrópoles



