Ex-presidente afirma que medidas do STF são exageradas e diz nunca ter cogitado deixar o país ou pedir asilo em embaixadas. Moraes impôs recolhimento domiciliar e restrição de redes sociais.
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como “suprema humilhação” a imposição da tornozeleira eletrônica determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita nesta sexta-feira, 18, após o político comparecer à Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, onde teve o equipamento instalado.
Ao deixar o local, Bolsonaro desceu do carro e falou brevemente com a imprensa. Disse que jamais cogitou sair do país ou pedir asilo em alguma embaixada, rebatendo os argumentos usados pelo ministro Alexandre de Moraes, que apontou risco de fuga como um dos motivos para as medidas cautelares. “A suspeita é um exagero”, afirmou. “Sair do país é a coisa mais fácil que tem.”
Medidas impostas pelo STF
Além da tornozeleira eletrônica, Bolsonaro está submetido a uma série de restrições:
- Está proibido de deixar a comarca do Distrito Federal;
- Deve cumprir recolhimento domiciliar noturno, das 19h às 6h, além de permanecer em casa integralmente aos fins de semana;
- Não pode acessar redes sociais;
- Está impedido de manter contato com o deputado Eduardo Bolsonaro, diplomatas estrangeiros e outros investigados nos processos em curso.
As decisões fazem parte de um conjunto de medidas adotadas após avanço da ação penal que apura tentativa de golpe de Estado supostamente liderada pelo ex-presidente. Desde fevereiro, Bolsonaro também está com o passaporte retido por ordem do STF.
Bolsonaro nega irregularidades
Em relação à apreensão de US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie em sua casa, Bolsonaro disse que sempre guardou dólares em casa e que pode comprovar a origem do dinheiro. Já sobre um pen drive apreendido em um banheiro da residência, limitou-se a dizer: “Não tenho conhecimento.”
Questionado sobre o objetivo das medidas judiciais, Bolsonaro foi enfático: “No meu entender, o objetivo é a suprema humilhação”. O ex-presidente também classificou como “inquérito político” a investigação sobre o suposto golpe, afirmando que “nada de concreto existe ali”.
As declarações de Bolsonaro ocorrem em um momento delicado para sua defesa, que tenta reverter a crescente pressão jurídica imposta pelo STF. As medidas impostas por Moraes aumentam o isolamento político do ex-presidente, que está impedido de atuar em redes sociais e de se comunicar com figuras-chave do seu círculo diplomático e familiar.
O episódio deve ter reflexos nas estratégias eleitorais do PL e na relação de Bolsonaro com sua base de apoio, que acompanha com atenção os desdobramentos da investigação.
Fonte: Agência Brasil



