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Banco Central prepara novo modelo para financiar imóveis após queda na poupança

O Banco Central (BC) está desenvolvendo um modelo alternativo de financiamento habitacional para enfrentar a queda nos depósitos da caderneta de poupança, tradicional fonte de recursos para o setor imobiliário no país. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 10, pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante um evento de inovação financeira promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em São Paulo.

Segundo Galípolo, a proposta está em fase de discussão com instituições financeiras, especialmente com a Caixa Econômica Federal, maior financiadora habitacional do país. “Pretendemos apresentar em breve um processo ponte que vai utilizar a captação de mercado para normalizar as fontes de financiamento para o setor imobiliário”, afirmou.

Retirada de recursos da poupança preocupa

A iniciativa do BC surge em meio a um cenário de retirada contínua de recursos da poupança. De janeiro a maio deste ano, os saques superaram os depósitos em R$51,77 bilhões. Apesar de um leve respiro em maio, com saldo positivo de R$336,87 milhões, o movimento de esvaziamento da poupança é considerado estrutural.

Galípolo acredita que a tendência reflete uma mudança no perfil do investidor brasileiro. “É difícil competir com outras alternativas hoje. Com mais educação financeira, é natural a redução de recursos na poupança”, explicou.

Desde 2012, a poupança apresenta saldo negativo, impulsionado por fatores como os juros altos, que tornam outros investimentos mais atrativos, e a crescente oferta de produtos de baixo risco e maior rentabilidade, como os títulos do Tesouro Direto.

Impacto no crédito imobiliário

Atualmente, cerca de 65% dos depósitos da poupança são destinados ao Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), que financia imóveis de até R$1,5 milhão com juros limitados a 12% ao ano. Imóveis com valor acima desse patamar são atendidos pelo Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), que utiliza recursos de mercado, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI).

A busca por alternativas ganha ainda mais relevância no momento em que o governo propõe a tributação de 5% sobre os rendimentos de LCI, hoje isentos de Imposto de Renda. Caso a proposta avance, o custo de captação via mercado pode subir, pressionando ainda mais o sistema de financiamento habitacional.

Solução em construção

Ainda sem detalhes públicos, o novo modelo em análise pelo Banco Central deve buscar fontes alternativas à poupança para garantir o fôlego do crédito imobiliário, especialmente num contexto de maior concorrência no mercado de investimentos e mudanças regulatórias.

A expectativa é de que a proposta seja apresentada nos próximos meses, com foco em garantir previsibilidade e estabilidade para quem deseja financiar a casa própria em meio ao novo cenário econômico.

Fonte: Agência Brasil 

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