O Brasil é um tédio. Somos muito previsíveis, embora nos achemos muito surpreendentes e gostemos de dizer que o país não é para amadores e coisa e tal. Estou falando de Tarcísio de Freitas.
Dois meses depois, e voilà: temos o governador de São Paulo se reaproximando do Supremo para pedir perdão, pequei.
Como noticiou na semana passada o colega de site Igor Gadelha, Tarcísio almoçou, em Brasília, com Gilmar Mendes — um dos ministros que externaram a sua braveza com a fala do governador.
Ontem, a jornalista Bela Megale trouxe a informação de que Tarcísio desculpou-se diretamente com Alexandre de Moraes, embora não tenha tornado a coisa pública.
Disse a jornalista:
De acordo com a jornalista, o governador também afirmou, imagina-se que aos mesmos interlocutores (adoro essa fórmula jornalística para preservar fontes), que estava “ciente dos riscos de se indispor com a corte, mas calculou que conseguiria reconstruir as pontes com os ministros com mais facilidade do que se recompor com o bolsonarismo”.
Já que era óbvio que o pedido de desculpas a Alexandre de Moraes viria a público, estaria o governador apostando que, com a prisão inevitável de Jair Bolsonaro, a base bolsonarista já não seria mais tão bolsonarista assim para julgá-lo um traidor? A base jogou a toalha?
A outra pergunta, que decorre naturalmente da primeira, é se Tarcísio desistiu de empenhar-se em favor da anistia ampla, no seu projeto de se mostrar um homem da direita moderada ou da “direita permitida”, para usar a expressão dos seus detratores.
Para mim, tanto faz: os brasileiros que se entendam ou se desentendam da forma que quiserem. O que deixo registrado é que temos mais um político com convicção que muda conforme a direção do vento e que, portanto, não pode ser considerada como tal, seja na sua benignidade ou na sua malignidade.



