Relatos de investidores que aportaram dinheiro na Fictor inundaram as redes sociais nos últimos dias. Os depoimentos, registrados em sites como o Reclame Aqui, apontam, principalmente, atrasos no pagamento de repasses prometidos pela empresa, além da impossibilidade de resgatar os valores investidos.
“Tenho três contratos SCPs com Fictor Invest, cujos resgates foram solicitados em 14/10/2025. Em 15/12/2025, deveria ter sido creditado resgate de um dos contratos, porém até a presente data nenhum centavo”, escreveu um investidor de Jundiaí, interior de São Paulo.
Os SCPs citados por ele são a sigla de Sociedades em Conta de Participação. O modelo permite que investidores aportarem capital em um projeto sem se expor, enquanto um sócio ostensivo – a Fictor, no caso – conduz o negócio, dividindo lucros sem chamar a atenção da Receita Federal e da Comissão de Valores Imobiliários (CVM).
Geralmente, os contratos oferecem retornos fixos variando de acordo com o dinheiro investido. Pelos relatos, há clientes que não receberam as parcelas dos rendimentos e outros que perderam acesso ao valor inicialmente aportado.
“Realizei investimentos, fruto de muito trabalho ao longo da minha vida profissional, com a empresa Fictor Invest Ltda, sob a modalidade de Sociedade em Conta de Participação (SCP), cujo objeto era o aporte de capital para operações em commodities agrícolas. Conforme previsto nos instrumentos contratuais, exerci formalmente meu direito de Opção de Venda (put option) para a retirada da totalidade da minha participação”, conta um investidor de Porto Alegre.
Ele continua: “De acordo com as cláusulas estabelecidas, a empresa teria um prazo de 60 dias após a notificação para efetuar o pagamento do valor integralizado e dos dividendos devidos, mas esse prazo expirou em 21/12/2025 sem que qualquer valor fosse creditado. Ao questionar uma gestora da empresa via mensagens, recebi apenas respostas evasivas e protelatórias”.
Patrocinadora do Palmeiras, a Fictor foi alçada às manchetes quando anunciou, em 17 de novembro de 2025, que compraria o Banco Master por R$ 3 bilhões. No dia seguinte, no entanto, o Banco Central (BC) decretou a liquidação do banco de Daniel Vorcaro e a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compliance Zero, que levou o banqueiro e outros integrantes da cúpula da instituição financeira para a cadeia.
Fonte: Metrópoles



