O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, reuniu-se nesta terça-feira (29) com representantes das big techs norte-americanas, Meta, Google, Amazon, Apple, Visa e Expedia, em Brasília. O encontro ocorre às vésperas da possível aplicação de tarifas de até 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, medida anunciada por Donald Trump no início de julho.
Durante a reunião, as empresas apresentaram uma pauta com temas como regulação, ambiente jurídico, inovação e oportunidades econômicas. Alckmin destacou que o objetivo do governo é avançar no diálogo:
“Temos muito mais convergências do que divergências”, disse.
É a segunda vez, em menos de um mês, que o vice-presidente se encontra com representantes das gigantes da tecnologia. O governo busca conter o impacto do possível tarifaço e demonstrar abertura ao diálogo com o setor privado norte-americano.
Alckmin propôs a criação de uma mesa de trabalho permanente com as empresas e destacou o potencial do Brasil no setor digital.
“O Brasil pode se tornar campeão em data centers”, afirmou.
Sobre a regulamentação das plataformas digitais no país, o vice-presidente adotou tom moderado e reforçou que a discussão não será apressada.
“A regulação das big techs está em debate em vários países. Vamos observar o que tem funcionado na Europa, ouvir diferentes setores e construir com cautela”, explicou.
A reunião também contou com a participação, por videoconferência, de um representante do Departamento de Comércio dos EUA, a pedido do secretário Howard Lutnick, que conversou com Alckmin na véspera.
A crise comercial se intensificou após o ex-presidente Donald Trump acusar o Brasil de dificultar a atuação de empresas americanas no ambiente digital. Em resposta, Alckmin tem defendido a ausência de justificativas econômicas para a tarifa anunciada.
“É uma medida injustificável. Entre os grandes parceiros comerciais dos EUA, o Brasil está entre os poucos com quem eles têm superávit. E, dos principais produtos que exportam para cá, a maioria entra com tarifa zero”, pontuou.
Além do setor de tecnologia, Alckmin recebeu nesta terça representantes da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), estado que exporta petróleo e aço para os EUA, e do governo do Ceará, estado proporcionalmente mais dependente das exportações para o mercado norte-americano.
*Com informações da Agência Brasil



