O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso nesta quarta-feira (4/3) em mais uma fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, contra irregularidades na instituição financeira. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O cunhado dele, o empresário Fabiano Campos Zettel, também é alvo e se entregou à PF.
A terceira fase da Operação Compliance Zero tem como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Segundo a Polícia Federal, são cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do BC.
As ordens de afastamento têm como alvo dois servidores do Banco Central (BC). São eles: Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, e Bellini Santana. Ambos estavam afastados das funções pelo presidente do órgão, Gabriel Galípolo.
Alvos da nova fase da operação da PF
Prisão preventina:
- Daniel Vorcaro, apontado pela PF como líder de uma milícia privada, que atuava para intimidar e coagir adversários e agentes públicos.
- Fabiano Campos Zettel, que manteve atuação direta e reiterada em apoio às atividades desenvolvidas pelo cunhado Daniel Vorcaro.
- Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que mantinha relação direta de prestação de serviços com o dono do Banco Master, atuando como responsável pela execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado.
- Marilson Roseno da Silva, identificado como integrante relevante da estrutura paralela de monitoramento e intimação vinculada ao grupo liderado por Vorcaro.
Medidas cautelares, como o afastamento de investigados de cargos públicos e o bloqueio e sequestro de bens:
- Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC. Atuava informalmente em favor dos interesses da instituição financeira submetida à supervisão da própria autarquia com a qual mantinha vínculo funcional.
- Belline Santana, ex-servidor do Banco Central. Atuava como uma espécie de empregado/consultor de Vorcaro em relação a temas da autarquia.
- Leonardo Augusto Furtado Palhares, responsável pela empresa Varajo Consultoria Empresarial Sociedade Unipessoal. Atuava na formalização documental de instrumento contratual utilizado no contexto das tratativas mantidas entre integrantes do grupo investigado;
- Ana Claúdia Queiroz de Paiva; sócia da empresa sócia da empresa Super Empreendimentos. Participava da realização e gestão de transferências financeiras destinadas a custear atividades desempenhadas por integrantes da milícia privada.
Foram determinadas, ainda, ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Vorcaro é alvo da Operação Compliance Zero, na qual a PF investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.
A detenção pela corporação ocorreu na casa de Vorcaro, em São Paulo. Havia um mandado de prisão preventiva contra o dono do Banco Master. Ele já estaria na Superintendência da PF, na capital paulista.
Esta não é a primeira prisão de Vorcaro. Ele havia sido preso pela PF na noite de 17 de novembro, em São Paulo, quando se preparava para embarcar num voo para o exterior. Foi solto 10 dias depois, e deixou a cadeia usando tornozeleira eletrônica.
A defesa de Vorcaro informou ao Metrópoles que o “empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.
“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta. Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições”, destacou.
Os defensores de Zettel alegaram que o “cliente já se apresentou à Polícia Federal. Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”.
CPI do Crime Organizado
A Polícia Federal prendeu Vorcaro no mesmo dia em que estava previsto o depoimento dele na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado. A oitiva ocorreria nesta manhã.
O ministro André Mendonça, STF, havia deferido, na noite dessa terça-feira (3/3), o pedido da defesa de Vorcaro para que o empresário fosse dispensado da obrigação de comparecer à CPI.
Com a decisão de Mendonça, a presença dele no colegiado havia se tornado facultativa.
Ainda era a esperada a oitiva de Fabiano Zettel nesta quarta.
Na decisão, Mendonça ressaltou a importância da CPI, mas afirmou que “revela-se inafastável a garantia constitucional de qualquer investigado contra a autoincriminação”. O banqueiro é investigado em inquérito sobre as fraudes no banco.
Fonte: Metrópoles









