Por Mino Pedrosa
Em Brasília, o silêncio costuma dizer mais do que discursos. E, no momento, o silêncio do presidente do Banco de Brasília ecoa alto demais.
Nelson Antônio de Souza assumiu o comando do BRB não para brilhar, mas para conter danos. Missão ingrata. Pior ainda quando a bomba já explodiu e os estilhaços atingem padrinhos, aliados e operadores de bastidores.
Nelson não é um nome qualquer. Chegou onde chegou pelas mãos do senador Ciro Nogueira, dono do Progressistas e velho conhecido dos corredores onde se decide mais do que se vota. No primeiro mandato do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o convite foi feito. Nelson declinou. Queria, mais uma vez, voltar a ocupar a principal cadeira da Caixa Econômica Federal, banco que presidiu em 2018, no governo Bolsonaro, período em que Ciro Nogueira reinou até o final. Nelson sempre esteve sustentado pelo peso político do padrinho.
Ibaneis, então, apelou para outro indicado da mesma prateleira: Paulo Henrique Costa. O roteiro parecia conhecido. Indicações cruzadas, conterrâneos, Centrão no controle e Brasília funcionando no modo automático. Funcionou — até não funcionar mais.
O escândalo BRB–Master rasgou o pano de fundo. Uma operação bilionária, títulos sob suspeita, documentos demais, explicações de menos. O que era para ser negócio virou problema. Do tipo que tira o sono do Planalto ao Buriti.
Foto: Divulgação
Com Paulo Henrique afastado pela Justiça, Nelson voltou à cena. Chamado às pressas por Ibaneis e Ciro, recebeu a incumbência de estancar a sangria. Não de explicar. De conter.
Para isso, cercou-se de confiança. Entre elas, a de Bruno Barra, dono da agência FLAP, velho conhecido do marketing político e operador discreto de bastidores. Foi dele a ideia que parecia genial até deixar de ser: convocar influenciadores digitais, alinhar narrativas e deslocar o foco. O alvo? Daniel Vorcaro.
O problema é que Vorcaro falava — e falava em depoimento à Polícia Federal. Falava sob sigilo. Pelo menos até o ministro Dias Toffoli decidir levantar o véu. Na quinta-feira, dia 29, o sigilo caiu. E, com ele, o castelo de cartas. Convites já tinham sido disparados. Influenciadores de alcance nacional estavam prontos para almoçar com o presidente do BRB, em São Paulo. O plano estava em curso. Só esqueceram de avisar o Supremo.
A Polícia Federal, é verdade, ainda não viu crime na atuação dos influenciadores. Mas também não viu ingenuidade. Há investigações em andamento sobre campanhas digitais baseadas em documentos oficiais de órgãos públicos. Terreno pantanoso. Ainda mais quando a luz é acesa de repente. O resultado foi previsível. Recuo. Mudança de discurso. E uma solução típica de Brasília: quem fala agora é a instituição. O presidente, não.
A nota oficial do BRB foi direta, quase ríspida. Negou conhecimento prévio, empurrou a responsabilidade para a agência e anunciou punição imediata. Sem citar nomes, mas deixando claro o recado.

Bruno Barra, que articulava nos bastidores a montagem da comissão de licitação das agências de publicidade — contrato gordo, diga-se —, ficou na linha de tiro. Saiu de operador a problema. De aliado a inconveniente.
No comunicado, o banco foi categórico: não autorizou, não sabia, não participou. A agência foi notificada e afastada.
Embora não ocupe cargo formal no BRB, Bruno Barra, proprietário da empresa FLAP, é apontado por servidores como operador recorrente de ações de live marketing, eventos e ativações institucionais, usufruindo de acesso privilegiado. Vale ressaltar que Bruno Barra conseguiu o contrato com o BRB pelas mãos de Paulo Henrique Costa, presidente afastado judicialmente do banco após a fraude bilionária do caso BRB/Master. Todo esse imbróglio pode estar havendo uma guerra velada entre Paulo Henrique e Nelson que, nos bastidores, está se vingando do tratamento recebido por Paulo Henrique quando se considerava o todo-poderoso e fiel escudeiro do governador. Esse fogo amigo entre os dois deve levantar labaredas e chamuscar o padrinho Ciro Nogueira, que é dono dos afilhados.
E assim, em mais um capítulo da política brasiliense, o banco fala.
A assessoria explica.
A nota circula.
O novo presidente se esquiva.
Em Brasília, silêncio nunca é ausência de discurso.
É estratégia.
Fonte: Fatos Online



