Banco Regional de Brasília propõe ação com influenciadores para defender sua imagem no escândalo Master–BRB
Por Mino Pedrosa
O Banco Regional de Brasília (BRB) é uma instituição pública, controlada pelo Governo do Distrito Federal, que administra recursos públicos e responde diretamente à sociedade. Por isso, carrega um dever que bancos privados não têm: exemplaridade.
É sob esse prisma que causa estranhamento a decisão do BRB de contratar influenciadores digitais para divulgar ações do banco e contrapor narrativas no escândalo que envolve o Banco Master. A estratégia busca ocupar espaço nas redes sociais, apresentar a versão oficial da instituição, reforçar o discurso de transparência e reduzir danos reputacionais.
A iniciativa, porém, esbarra no histórico recente do próprio caso. Quando o Banco Master, instituição privada, recorreu a influenciadores para difundir conteúdos sobre o episódio, a reação foi imediata: críticas severas, acusação de “campanha coordenada” e até a abertura de inquérito pela Polícia Federal, sob a alegação de divulgação maciça de material que atacaria o Banco Central.
O ponto pouco destacado à época é que os conteúdos divulgados estavam baseados em documentos e notas oficiais, produzidos por instituições financeiras e por órgãos reguladores e fiscais. Ainda assim, a iniciativa foi tratada como escândalo.
Agora, o cenário se inverte. O BRB, banco público, adota estratégia semelhante: convida influenciadores, organiza encontros, apresenta dados e pede que as informações sejam divulgadas de forma “objetiva”. Surge, então, a pergunta inevitável:
O que muda quando quem comunica é um banco do governo?
Se a divulgação de documentos oficiais foi considerada grave quando partiu de um banco privado, como deve ser interpretada quando parte de um banco público? O risco é claro: um banco estatal não pode ser percebido como agente de confronto com órgãos fiscalizadores, nem transformar redes sociais em arena de disputa contra o Banco Central, a Polícia Federal ou outras instâncias de controle.

Caso isso ocorra, o problema deixa de ser apenas comunicacional e passa a ser institucional.
Existe uma linha tênue entre informar e pressionar, entre esclarecer e confrontar, entre transparência e propaganda. Bancos privados operam sob a lógica do mercado. Bancos públicos operam sob a lógica do Estado.
E o Estado não faz campanha contra seus próprios fiscais.
No caso BRB–Master, o debate não é sobre o direito de falar, mas como se fala, com quem se fala e para quê. Em um país de pesos e medidas desiguais, a sociedade observa.
E cobra coerência.
Fonte: Fatos Online



