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Rota das armas: os caminhos dos fuzis até a máquina do crime no RJ

Fabricadas para serem usadas em guerras, as armas longas, como carabinas, fuzis e metralhadoras, tornaram-se peças-chave na disputa territorial entre as facções criminosas que atuam no Rio de Janeiro (RJ).

Altamente letais, elas se transformaram em símbolos de poder e são exibidas sem pudor nas comunidades. Por trás desse arsenal, há um trajeto que atravessa milhares de quilômetros até que o equipamento chegue ao solo fluminense.

Em entrevista à coluna, o delegado Vinícius Domingos, coordenador da Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos da Polícia Civil do RJ (Cfae), detalhou a rota do material bélico até o estado — e posteriormente até a polícia.

A autoridade destacou que os fuzis e carabinas são vistos como uma questão grave no Rio, o que exige uma atuação direcionada exclusivamente para mitigar o problema.

“A gente busca fazer um relatório que desvende o máximo de informações possíveis sobre a origem das armas, tanto objetivas quanto subjetivas, para subsidiar não apenas as unidades responsáveis pelas investigações, mas também para identificar e punir as pessoas que as traficam até o RJ.”

A origem

Segundo a Cfae, 725 fuzis foram apreendidos no RJ em 2024. Desses, apenas 22 foram fabricados no Brasil. Conforme apontado pelo coordenador, 80% das armas estrangeiras eram oriundas dos Estados Unidos, enquanto os outros 20% vieram de países como Alemanha, Bélgica, Suíça, Geórgia, Turquia e Romênia.

Na maioria dos casos, o material não chega ao país pronto para uso. Domingos destacou a existência das chamadas “copyfakes” — versões falsificadas ou artesanais dos fuzis que, mesmo sem a qualidade dos originais, mantêm alto poder letal.

“Elas têm aptidão de tiro, mas não possuem boa qualidade. Por isso, não chegam a durar duas décadas. Ainda assim, funcionam tempo suficiente para serem empregadas pelo crime organizado”, explicou.

Um dos motivos para os criminosos optarem por finalizar as armas no território nacional é driblar a fiscalização. Isso ocorre porque é mais fácil importar peças — geralmente vendidas sem restrição — do que o equipamento completo.

Já em solo brasileiro, as copyfakes são finalizadas com canos e componentes de airsoft, o que as torna visualmente semelhantes às originais.

Arte/Metrópoles

As principais rotas

Apesar de existirem diferentes modalidades de entrada, o transporte terrestre ainda é o preferido das facções criminosas.

A Cfae aponta a fronteira com o Paraguai e a divisa da Amazônia com o Peru, Colômbia e Venezuela como as principais portas de entrada de armamentos estrangeiros.

“Inclusive, uma grande parte deles é desviada das forças regulares do Exército desses países”, comentou Domingos.

Arte/Metrópoles

O combate

Diante desse cenário, para tentar conter o fluxo de armamentos, é preciso, na percepção do coordenador, trabalhar a legislação.

“A gente entende, na Cfae, que a fronteira é realmente um problema, mas não o maior, porque é de difícil solução”, analisou.

Para ele, é necessário modernizar a legislação não apenas para inibir o interesse dos criminosos no tráfico de armas, mas também para que os condenados cumpram pena suficiente e sirvam de exemplo do que não é permitido no país.

Fonte: Metrópoles

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