O chamado “fundão eleitoral”, oficialmente denominado Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), voltou ao centro das discussões políticas no Brasil por causa do alto valor destinado a ele e da maneira como o dinheiro será repartido entre os partidos. Criado após a proibição das doações de empresas, o fundo é formado inteiramente por recursos públicos e tem como objetivo bancar as campanhas eleitorais em todo o país.
Para as próximas eleições, o valor aprovado é de cerca de R$ 4,9 bilhões — quase cinco vezes maior do que o utilizado em 2018, quando o mecanismo foi implementado pela primeira vez. Todo esse dinheiro sairá do orçamento da União, o que gera críticas de especialistas e da população, que apontam o gasto como exagerado diante de tantas áreas públicas com necessidade de investimento.
A divisão do fundo entre os partidos segue critérios definidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), levando em conta o desempenho eleitoral e o tamanho das bancadas no Congresso. O modelo busca equilibrar o repasse, mas ainda privilegia as siglas com maior representatividade. A regra funciona assim:
2% do total é dividido igualmente entre todos os partidos registrados;
35% é distribuído de acordo com os votos recebidos na eleição para deputado federal;
48% é calculado conforme o número de deputados que cada partido tem na Câmara;
15% leva em consideração a quantidade de senadores de cada legenda.
Depois de receberem suas fatias, os partidos ficam responsáveis por dividir o dinheiro entre seus candidatos. Contudo, eles devem respeitar cotas legais, garantindo parte do fundo para candidaturas de mulheres e de pessoas negras, uma forma de tentar equilibrar as oportunidades na disputa eleitoral.
Mesmo com essas regras, há insatisfação. Partidos pequenos afirmam que o sistema é injusto, pois a maior parte dos recursos acaba concentrada nas mãos das grandes legendas, que já possuem mais estrutura e influência política. Isso, segundo analistas, cria um círculo vicioso que reforça o poder dos mesmos grupos e dificulta a renovação no cenário político.
O debate sobre o fundo também envolve sua origem. Muitos brasileiros e especialistas questionam o uso de bilhões de reais do orçamento público para financiar campanhas, especialmente em um país com problemas sérios em áreas como saúde, educação e segurança. Por outro lado, há quem defenda que o financiamento público é importante para reduzir a dependência dos candidatos de grandes empresas e evitar corrupção.
Com as eleições se aproximando, o “fundão” promete ser um dos principais temas em discussão. A forma como o dinheiro será aplicado e fiscalizado definirá o tom da disputa eleitoral e reacenderá o debate sobre o equilíbrio entre transparência, representatividade e responsabilidade no uso do dinheiro público dentro da política brasileira.