Detida na Itália desde terça-feira (29), a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) afirmou, por meio de seu advogado, ter esperança de que o governo italiano recuse o pedido de extradição feito pelo Brasil. A parlamentar, que tem cidadania italiana, foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Zambelli está atualmente presa na penitenciária de Rebibbia, em Roma, onde deverá aguardar o andamento do processo de extradição. Em nota divulgada por seu advogado, Pieremilio Sammarco, ela alegou ser vítima de perseguição política:
“Eu sofri no Brasil uma perseguição política, sem provas e sem qualquer garantia de defesa. Não vou desistir. Minha esperança é que a Itália se oponha à minha extradição”, disse a deputada, segundo o defensor italiano.
Apoio político na Itália
Sammarco destacou que o interesse de figuras políticas italianas pode ajudar no caso, citando a possível visita do vice-premiê e ministro da Infraestrutura da Itália, Matteo Salvini, à parlamentar na prisão. Salvini é aliado da família Bolsonaro e sinalizou apoio à deputada.
Zambelli fugiu para a Itália no início de junho, logo após a condenação pelo STF. A sentença foi motivada pela participação da deputada na invasão de sistemas do CNJ, junto ao hacker Walter Delgatti Neto, condenado a oito anos e três meses de prisão. A ação, segundo a Corte, teve como objetivo desacreditar o Judiciário.
Agora, o governo brasileiro aguarda a decisão das autoridades italianas sobre o pedido de extradição. O caso deve se arrastar nos tribunais italianos e pode ganhar contornos diplomáticos diante da relação entre os envolvidos.
*Com informações da Istoé



