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Governo tenta reverter tarifa de 50% dos EUA e aposta em diálogo com empresários e Câmara Americana

Após o governo norte-americano anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, intensifica articulações para tentar reverter a medida. Nesta quarta-feira, 16, Alckmin se reúne com a Câmara de Comércio Americana (Amcham) em busca de apoio institucional e empresarial dos Estados Unidos.

A ofensiva diplomática do Brasil ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, endurecer sua política comercial contra países do Brics, em especial o Brasil, após discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa do multilateralismo e da criação de moedas alternativas ao dólar. A medida afeta diretamente o agronegócio e a indústria nacional, que se mobilizam para pressionar por uma solução rápida até o fim do mês.

Agronegócio e indústria reagem às tarifas de Trump

Na terça-feira, 15, Alckmin realizou encontros com representantes do setor produtivo, da indústria e do agronegócio, principais alvos da tarifa imposta. “Temos produtos perecíveis já embarcados e precisamos de uma resposta rápida. A ideia é resolver até 31 de julho, sem prorrogação”, afirmou o ministro.

Durante as reuniões, participaram representantes de cooperativas, CNA, CNC, empresas de software de capital americano, setor químico e centrais sindicais, que reforçaram o compromisso com a mobilização.

Segundo Alckmin, além de prejudicar a economia brasileira, as tarifas também afetam os consumidores e empresas dos EUA, com impacto direto em produtos como café e suco de laranja, já citado pela mídia norte-americana.

Lei de Reciprocidade é regulamentada, mas governo prioriza diálogo

Enquanto busca uma saída diplomática, o governo brasileiro já se preparou juridicamente. Lula assinou o decreto que regulamenta a chamada Lei de Reciprocidade Econômica, que permite a adoção de contramedidas comerciais, como a suspensão de concessões e de direitos de propriedade intelectual, caso não haja avanço na negociação.

O decreto também criou o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, com participação dos ministérios da Fazenda, Relações Exteriores, Casa Civil e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Apesar da nova regulamentação, a estratégia prioritária do governo é o diálogo, evitando uma escalada de retaliações. “Os EUA têm superávit comercial com o Brasil há mais de 15 anos. Essas tarifas são desproporcionais e prejudiciais aos dois lados”, enfatizou Alckmin.

Pressão interna e articulação internacional

Interlocutores do governo afirmam que o objetivo é mostrar que a população dos dois países será afetada negativamente com o aumento de preços e perdas econômicas. Por isso, o apelo é também às empresas americanas instaladas no Brasil, para que se somem ao esforço de reversão da tarifa.

A reunião com a Amcham é vista como movimento estratégico, uma vez que a entidade congrega grandes empresas americanas e brasileiras e pode ajudar a influenciar decisões em Washington.

Com um prazo curto para resposta, até o fim de julho, o governo federal intensifica sua atuação nos bastidores e aposta no engajamento do setor privado nacional e internacional. A expectativa é que, com pressão suficiente, Trump reveja a tarifa de 50%, abrindo espaço para uma reconfiguração das relações comerciais entre os países.

Fonte: Metrópoles 

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