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Retaliação do Brasil aos EUA pode pressionar dólar, inflação e bolsa, dizem economistas

Especialistas alertam que uma eventual retaliação do governo brasileiro às tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos pode gerar efeitos negativos em cadeia na economia nacional. Entre os riscos apontados estão alta do dólar, inflação, queda no consumo e fuga de investidores da Bolsa.

A taxação foi anunciada pelo ex-presidente Donald Trump na quarta-feira (9) e começa a valer em 1º de agosto. Como resposta, o governo Lula avalia medidas comerciais contra produtos norte-americanos, o que, segundo analistas, pode piorar o cenário macroeconômico do Brasil.

Para Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, a retaliação pode encarecer produtos de tecnologia e bens com alto valor agregado, impactando o varejo e os custos das empresas brasileiras. “Com o consumo em queda, o lucro operacional tende a cair e isso pode pesar no desempenho do Ibovespa”, avalia.

Volatilidade cambial e risco inflacionário

A instabilidade no câmbio é outro ponto crítico. Desde o anúncio das tarifas, o dólar subiu de R$ 5,40 para R$ 5,54. Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, afirma que a tensão comercial amplia a volatilidade do real e pressiona os preços no mercado interno.

“O impacto pode atingir desde o agronegócio até a indústria, afetando oferta, emprego e inflação. Se as tarifas persistirem, o efeito será significativo”, alerta Salto.

Patrick Buss, operador da Manchester Investimentos, aponta que o aumento da percepção de risco afasta investidores e encarece o financiamento para empresas brasileiras. “Mesmo mirando as importações, uma retaliação pode gerar desdobramentos negativos amplos no cenário econômico”, afirma.

Alternativas e riscos geopolíticos

Para minimizar os efeitos, o Brasil pode redirecionar suas exportações. Leonardo Trevisan, professor de relações internacionais da ESPM, vê a China como principal alternativa à perda de espaço nos EUA. “O Brasil precisa substituir esse parceiro. Qualquer criança sabe que será a China”, afirmou.

Trevisan também destaca o efeito geopolítico da medida: “Quanto mais os EUA pressionarem o Brasil, mais a América Latina tende a se aproximar da China. É um tiro no pé”.

Em nota, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) adotou tom conciliador, destacando que a tarifa de 50% prejudica as economias de ambos os países e pode gerar perdas significativas para produtores e consumidores.

*Com informações da CNN Brasil

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