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Fazenda minimiza impacto do tarifaço dos EUA no PIB, mas indústria pode sentir

O Ministério da Fazenda avaliou nesta sexta-feira (11) que o impacto das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve ser limitado no PIB, embora setores industriais possam ser mais afetados. Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), a medida “influencia pouco a estimativa de crescimento em 2025”, que foi revisada de 2,4% para 2,5%, sem considerar os efeitos do tarifaço.

As exportações representam cerca de 18% do PIB brasileiro, com os EUA respondendo por aproximadamente 12% do total. Entre os principais produtos vendidos ao mercado americano estão petróleo, ferro, aço, celulose, café, suco de laranja e carne bovina. Também há destaque para itens manufaturados, como aeronaves e máquinas para o setor de energia, que, segundo a Fazenda, tendem a sofrer mais, já que são menos facilmente redirecionáveis a outros mercados.

Em nota, a FGVAgro estimou que a tarifa de 50% pode causar uma queda de até 0,16% no PIB brasileiro, chegando a 0,41% em caso de retaliação. O agronegócio seria o mais afetado, com projeção de queda de até 75% nas exportações de alimentos aos EUA. Também se calcula uma redução de até US$ 13 bilhões no consumo interno. Nos EUA, os impactos seriam menores: queda de até 0,08% no PIB e US$ 18,4 bilhões no consumo.

Para a economista-chefe da B.Side Investimentos, Helena Veronese, os EUA “não levam o Brasil a uma recessão”, mas o tarifaço pode restringir o crescimento e excluir produtos brasileiros do mercado americano. Segundo ela, enquanto não houver clareza diplomática, empresas podem suspender as exportações para os EUA.

O presidente Lula anunciou a criação de um comitê com representantes do governo e do setor produtivo para monitorar os desdobramentos e evitar prejuízos maiores. O governo também sinalizou que buscará ampliar mercados asiáticos como alternativa.

Enquanto isso, o mercado já reage: o dólar se aproxima de R$ 5,60 e o Ibovespa opera em queda, abaixo dos 136 mil pontos.

*Com informações da IstoéDinheiro

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