Três capitais brasileiras estão sob risco iminente de desastres ambientais provocados por má gestão de resíduos sólidos. A denúncia foi feita pelo presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), Pedro Maranhão, que apontou as cidades de Goiânia (GO), Manaus (AM) e Teresina (PI) como casos críticos que exigem medidas urgentes para substituição dos lixões por aterros sanitários.
O alerta vem na esteira do colapso ocorrido em junho no aterro sanitário privado Ouro Verde, em Padre Bernardo (GO), que despejou cerca de 40 mil metros cúbicos de resíduos em uma área de conservação ambiental, contaminando o Córrego Santa Bárbara. O episódio, considerado um desastre ambiental, levou à interdição judicial do local, mas os impactos ambientais e sociais seguem sendo avaliados.
Segundo Pedro Maranhão, a situação de Goiânia é particularmente grave. Apesar de a prefeitura classificar o local como “aterro controlado”, a estrutura não apresenta tratamento adequado de chorume, gaseificação ou drenagem, requisitos essenciais para caracterização como aterro sanitário. “É um lixão disfarçado. Falta transparência e responsabilidade ambiental”, afirmou.
Em Teresina, o cenário também preocupa. Um episódio recente, em que um menino de 12 anos morreu atropelado no lixão, sensibilizou a população e acelerou a articulação entre Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Estadual (MP-PI) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI). O grupo pressionou a prefeitura a desativar o local e transferir os resíduos para aterros privados.
Manaus, por sua vez, ainda destina seus resíduos a um lixão, mesmo com alternativas viáveis para adoção de aterros. Segundo a Abrema, a cidade produz até 3 mil toneladas de lixo por dia. Um novo projeto de tratamento, o Centro de Tratamento e Transformação de Resíduos (CTTR), está em construção e já tem um terço das obras concluídas. A expectativa é que a estrutura possa receber resíduos de municípios em um raio de até 150 quilômetros.
A situação em Goiânia também tem mobilizado o Ministério Público de Goiás (MPGO), que identificou 12 falhas graves no Aterro Sanitário Municipal, incluindo operação sem licença ambiental válida, problemas de impermeabilização e risco de deslizamentos. A Justiça já determinou o fechamento gradual do local. Em resposta, a prefeitura argumenta que um estudo técnico apontaria possibilidade de operação por mais 30 anos, tese contestada por especialistas.
Pedro Maranhão ressalta que os aterros sanitários são obras de engenharia com padrões rigorosos de segurança, como impermeabilização, captação de metano e tratamento de chorume. “Porto Alegre, mesmo com as enchentes, conseguiu manter o funcionamento do seu aterro. Isso mostra que é possível ter estrutura segura e eficaz.”
O presidente da Abrema defende maior conscientização da população e do Judiciário sobre o ciclo do lixo e seus impactos. “A sociedade precisa exigir soluções ambientalmente corretas dos gestores públicos. O lixo não desaparece quando colocado na porta de casa”, enfatizou.
Fonte: Agência Brasil



