O mês de julho começou com forte volatilidade nos mercados financeiros brasileiros. Nesta terça-feira, 1º, o dólar comercial subiu 0,51% e fechou cotado a R$5,461, após um dia de pressão causada por incertezas em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e por uma onda de realização de lucros. Já a bolsa de valores (B3) teve desempenho positivo, com o Ibovespa avançando 0,5%, aos 139.549 pontos, marcando o terceiro maior nível da história do índice.
Alta do dólar: IOF e cautela global influenciam o câmbio
A valorização da moeda norte-americana foi impulsionada principalmente pela decisão do governo brasileiro de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para manter o decreto que eleva o IOF. A medida gerou desconforto no mercado financeiro, que defende a derrubada do aumento do imposto. O temor de impactos tributários sobre investimentos estrangeiros acabou elevando a cotação da divisa.
Além disso, investidores aproveitaram o recente recuo do dólar , que chegou na última segunda, 30, ao menor patamar desde setembro do ano passado, para realizar lucros e recompor posições, contribuindo para a pressão de alta.
No cenário internacional, dados econômicos dos Estados Unidos também influenciaram o comportamento do câmbio. A divulgação de números mistos, com produção industrial dentro do esperado e criação de empregos acima das previsões, fez o dólar se fortalecer globalmente, afetando principalmente moedas de países emergentes como o Brasil.
Fed e Trump: declarações que movimentaram os mercados
Outro ponto de atenção para investidores foi uma declaração do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, que apontou que o banco central americano poderia ter começado a cortar os juros, não fosse a política tarifária do ex-presidente Donald Trump. O comentário foi interpretado como sinal de cautela na condução da política monetária nos EUA, o que alimentou as tensões nos mercados globais.
Apesar da alta do dólar, o ambiente doméstico favoreceu a valorização da bolsa de valores. O Ibovespa subiu 0,5%, impulsionado por ações ligadas ao setor de commodities e bancos. Com o fechamento em 139.549 pontos, o índice atingiu seu terceiro maior nível histórico, atrás apenas dos resultados registrados em 19 e 20 de maio de 2025, quando superou a marca de 140 mil pontos.
Perspectivas
Mesmo com a alta pontual do dólar nesta terça, a moeda acumula queda de 11,63% em 2025, reflexo de fluxos positivos de capital e melhora na percepção de risco em relação ao Brasil. Já o desempenho da bolsa reforça a expectativa de otimismo moderado entre investidores, mesmo com incertezas pontuais como a judicialização do IOF e o cenário externo ainda instável.
Fonte: Agência Brasil



