Apesar da continuidade dos confrontos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou na manhã desta terça-feira, 24, que o cessar-fogo entre Israel e Irã está mantido. A declaração veio após uma noite de novos ataques entre os dois países, no 12º dia do conflito no Oriente Médio.
Segundo Trump, “Israel não atacará o Irã” e os aviões militares voltariam às suas bases, sinalizando um gesto de trégua. No entanto, ainda durante a madrugada, ambos os lados relataram bombardeios. O Irã acusou Israel de atacar Teerã, matando civis e dois altos oficiais da milícia Basij. Em resposta, lançou 14 mísseis contra alvos israelenses, parte da 22ª onda de retaliações do país persa. A Força de Defesa de Israel (FDI) afirmou ter interceptado a maioria dos projéteis, mas reconheceu que alguns atingiram a cidade de Berseba, matando quatro pessoas.
Em comunicado, o exército israelense confirmou que bombardeou “dezenas de alvos militares” em Teerã com o uso de mais de 100 munições, atingindo centros de produção de armamentos. Já o ministro da Defesa de Israel, Israel Kartz, disse ter autorizado “ataques poderosos” em resposta à violação do cessar-fogo pelo Irã.
Do lado iraniano, o ministro das Relações Exteriores, Seyed Abbas Araghchi, negou qualquer acordo formal de cessar-fogo, mas admitiu a suspensão temporária das operações militares, desde que Israel cessasse seus ataques até às 4h da manhã, horário de Teerã. A decisão final sobre a continuidade dos confrontos, segundo ele, ainda será avaliada.
Trump, por sua vez, afirmou que ambas as partes descumpriram os termos negociados. O presidente norte-americano havia estabelecido que o Irã cessaria os ataques primeiro, concedendo a Israel mais algumas horas para concluir suas operações contra alvos iranianos.
O governo iraniano celebra o momento como uma “vitória”, alegando que Israel teria recorrido aos EUA para solicitar a trégua. Apesar da retórica de contenção, ambos os países seguem em estado de alerta, monitorando movimentos militares e prometendo reações a qualquer nova ofensiva.
Entenda o conflito
A escalada entre Israel e Irã começou no último dia 13, quando os israelenses lançaram um ataque surpresa contra alvos estratégicos iranianos, sob a justificativa de impedir o avanço de um suposto programa nuclear. Em meio ao confronto, os Estados Unidos também atacaram instalações nucleares iranianas — entre elas Fordow, Natanz e Esfahan.
O Irã nega ter intenções bélicas e afirma que seu programa nuclear é exclusivamente pacífico. Embora a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) tenha apontado falhas no cumprimento de obrigações por parte do Irã, não há evidências concretas de que o país desenvolva armas nucleares. A acusação, porém, é vista com ceticismo pelo Irã, que denuncia perseguição política por parte do Ocidente.
Israel, que historicamente mantém um programa nuclear não declarado e com potencial ofensivo, alega que não aceitará a existência de uma bomba atômica iraniana, argumento que sustenta a ofensiva militar atual.
Fonte: Agência Brasil



