Amostras apontam níveis de poluição três vezes superiores ao permitido pelo Conama; Semad embarga o local
A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (Semad-GO) confirmou, nesta sexta-feira (20), que o desabamento de uma montanha de lixo no aterro sanitário Ouro Verde, em Padre Bernardo (GO), contaminou a água do córrego Santa Bárbara, afluente do rio do Sal, no Entorno do Distrito Federal. O incidente ocorreu na manhã de quarta-feira (18).
Análises feitas em três pontos do córrego revelaram que, logo após o local do desmoronamento, a concentração de sólidos totais dissolvidos chegou a 1.580 mg/L, valor três vezes superior ao limite estabelecido pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que é de 500 mg/L.
Segundo a Semad, a presença excessiva de sólidos é um indicativo de metais pesados, como mercúrio, chumbo e cádmio, frequentemente presentes no chorume, líquido tóxico gerado pela decomposição de resíduos. Também foram identificados indícios de poluição por sulfato, nitrato, nitrito e fosfato, substâncias que podem afetar a saúde humana e comprometer o ecossistema aquático.
As amostras foram coletadas antes e depois do lixão. No ponto anterior ao aterro, os parâmetros estavam dentro da normalidade. Após o deslizamento, os níveis de contaminação dispararam.
Aterro foi embargado
Na quinta-feira (19), após inspeção no local, a Semad embargou o funcionamento do aterro sanitário. A empresa não poderá mais receber novos carregamentos de lixo.
A pasta informou ainda que o empreendimento operava sem licença ambiental válida, com base em liminar concedida pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). A área onde o lixão está instalado é considerada de preservação permanente.
Antes do desmoronamento, a Semad já havia emitido sete autos de infração e embargos administrativos contra a empresa Ouro Verde, responsável pelo aterro. O caso está sob investigação do Ministério Público de Goiás (MP-GO) e do Ministério Público Federal (MPF).
A Secretaria também anunciou a contratação de um laboratório externo para identificação específica dos metais presentes na água contaminada. A Agência Brasil tentou contato com a empresa Ouro Verde e permanece à disposição para manifestações.
*Com informações da Agência Brasil



