Mandados foram cumpridos em Aracaju, Umbaúba e Cristianópolis, em Sergipe
A Polícia Federal prendeu, nesta terça-feira (17), dois suspeitos de envolvimento no esquema de descontos ilegais em benefícios previdenciários do INSS. As prisões ocorreram nos municípios sergipanos de Aracaju e Umbaúba. Os investigados estão detidos temporariamente e prestam depoimento na sede da PF. Seus nomes não foram divulgados por estar o caso sob segredo de justiça.
Além das prisões, a PF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão em imóveis residenciais e comerciais de Aracaju, Umbaúba e Cristianópolis. Foram apreendidos cerca de R$ 35 mil em dinheiro, R$ 68 mil em cheques e decretado o sequestro de cinco imóveis avaliados em R$ 12 milhões.
Segundo a PF, a operação visa recuperar ativos e avançar nas investigações sobre os descontos indevidos, com foco na responsabilização dos envolvidos e na recomposição dos cofres públicos.
Esquema fraudulento lesou milhões de beneficiários
A fraude veio à tona em abril, com a deflagração da Operação Sem Desconto, realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). A ação revelou um esquema de cobranças indevidas de mensalidades associativas diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas, sem autorização dos segurados.
Na fase inicial, foram cumpridos 6 mandados de prisão e 211 de busca e apreensão em 14 estados e no Distrito Federal. A Justiça também ordenou o bloqueio de bens que somam mais de R$ 1 bilhão.
A chamada mensalidade associativa é um desconto previsto em lei desde 1991, que permite a cobrança em folha por sindicatos e entidades civis. Porém, investigações apontam que milhões de beneficiários nunca autorizaram essas deduções.
Dados do INSS e da CGU revelam que, em 2024, o total anual de descontos associativos ultrapassou R$ 2,8 bilhões, valor sete vezes maior do que o registrado em 2016 (R$ 413 milhões). No entanto, o próprio INSS admite não saber quanto desse montante foi descontado ilegalmente.
Mais de 3,38 milhões de beneficiários já consultaram o INSS sobre essas cobranças. Destes, 97,3% afirmaram nunca ter autorizado os descontos em favor de 43 entidades.
Diante da gravidade, a CGU recomendou que o INSS suspenda os descontos associativos diretamente na folha de pagamento dos beneficiários.
*Com informações da Agência Brasil



