O fenômeno do greenwashing vem se tornando cada vez mais comum no marketing de empresas alimentícias. A prática consiste na criação de uma imagem “ecologicamente sustentável” de um produto ou marca, visando a aprovação da opinião pública. Contudo, os produtos não cumprem as promessas de sustentabilidade estampadas nas propagandas, gerando impactos no público e no meio ambiente.
Baseado nesse fenômeno, o pesquisador Lucas Rocha Vita se propôs a investigar os impactos da percepção do greenwashing sobre o bem-estar animal no processo de decisão de compra dos consumidores de ovos de galinha. A pesquisa de mestrado foi realizada no Programa de Pós-Graduação em Agronegócio da Universidade Federal de Goiás (UFG), sob orientação dos professores Klaus de Oliveira Abdala e Cristian Rogério Foguesatto.
Em sua pesquisa, Lucas utilizou um formulário on-line com 45 perguntas para investigar o perfil dos participantes, seus costumes e opiniões sobre o bem-estar animal, a compreensão sobre o greenwashing, o desejo de adquirir produtos sustentáveis e as predileções em relação a itens de origem animal. No total, foram reunidas 230 respostas.
Como resultado da pesquisa, Lucas percebeu que uma ampla parcela dos consumidores – representados por 97% dos entrevistados – considera o bem-estar animal uma questão importante. Essa conscientização se reflete nos hábitos de compra e nas preferências de produtos, em que mais da metade dos respondentes estaria disposta a pagar até 10% a mais por ovos em melhores condições de bem-estar animal.
De acordo com o pesquisador, o consumidor tem se tornado o principal elemento da cadeia produtiva de alimentos dada a mudança de comportamento em relação às preocupações ambientais, e as empresas têm tentado, a qualquer custo, atingir esse público. Na dissertação, Lucas cita, por exemplo, a utilização de termos como “galinhas felizes” em rótulos de ovos.
“Elas [as empresas] querem conquistar esses públicos porque eles estão mais atentos às causas ambientais. Teve uma virada de qualidade do consumidor, em que ele ganhou um pouco mais de protagonismo no mercado e essas empresas precisam se adequar para conquistar novos mercados”, afirma.
Fiscalização
Baseado em seus resultados, o pesquisador afirma que é necessário que haja a criação de políticas públicas que fiscalizem a rotulagem dos produtos. “A gente carece dessa questão estrutural no Brasil, de ter uma fiscalização mais incisiva”.
Outro ponto levantado por Lucas é a necessidade de educação dos consumidores. “A questão principal é instruir os consumidores em educação ambiental, uma formação um pouco mais acurada para identificar essas situações que caracterizam greenwashing“, considera.
Os consumidores devem ficar atentos e podem tomar algumas medidas para não serem enganados pelas estratégias de greenwashing, como verificar a presença de selos que indicam o cumprimento de medidas de sustentabilidade, como o FSC (Forest Stewardship Council), IBD (Instituto Biodinâmico), Procel (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) ou o Ecocert. Além disso, é sempre necessária a atenção à utilização de termos exagerados em rótulos e propagandas, como “100% verde” ou “natural”.
Por fim, o pesquisador reforça que existem canais e meios de denúncias a essas práticas. “Já tem algumas iniciativas de atos de combate para os consumidores, de órgãos em que eles recebem denúncias relacionadas ao greenwashing. Já há condenações e aplicações de multas administrativas nessa seara”, relata. (Fonte: Jornal da UFG)



