O Brasil registrou uma queda de 6,33% nos homicídios dolosos em 2024, totalizando 35.365 vítimas, segundo o Mapa da Segurança Pública divulgado nesta quarta-feira, 11, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2023, foram 37.754 mortes. Apesar da redução nos assassinatos, os dados revelam crescimento em crimes como feminicídio e estupro.
Para o ministro Ricardo Lewandowski, a diminuição dos homicídios indica que as políticas públicas de segurança estão no “caminho certo”. “Também obtivemos reduções importantes nos crimes patrimoniais, como furto e roubo de veículos, cargas e instituições financeiras, além da queda de 4,02% na letalidade por intervenção policial”, destacou.
Os casos de latrocínio (roubo seguido de morte) também apresentaram queda, passando de 972 para 956 registros. Segundo o ministério, a redução tem relação com o endurecimento no controle de armas. O número de registros de armamento caiu 79% em 2023, após a revogação de decretos que facilitam a posse e o porte.
Feminicídios e estupros aumentam
Apesar da queda de 8% nos homicídios de mulheres, de 2.655 para 2.422 casos, os feminicídios aumentaram: foram 1.459 registros em 2024, contra 1.449 no ano anterior. Em média, quatro mulheres foram mortas por dia por serem mulheres.
Os estupros também cresceram, ainda que de forma discreta: de 71.759 em 2023 para 71.834 em 2024, o que representa cerca de 196 vítimas por dia.
Lewandowski destacou a necessidade de reforçar o enfrentamento à violência de gênero e mencionou iniciativas como o programa ‘Antes que Aconteça’, voltado à prevenção, e o Programa Nacional das Salas Lilás, que estabelece diretrizes para acolhimento especializado de mulheres e meninas vítimas de violência nas forças de segurança.
Redução nas mortes de policiais e uso de câmeras corporais
O número de agentes de segurança mortos também apresentou queda, passando de 6.391 para 6.134 em um ano. O governo atribui a redução a medidas como o Projeto Nacional de Qualificação de Uso da Força e à ampliação do uso de câmeras corporais.
“Regulamentamos o uso progressivo da força. A arma letal só deve ser usada em último caso”, disse o ministro. Segundo o MJSP, R$65,9 milhões foram repassados aos estados para implantação de programas de monitoramento com câmeras.
Desaparecimentos e unificação de dados
O levantamento também apontou crescimento de 3,01% no número de desaparecidos: 80.333 casos em 2024, contra 77.986 em 2023. Por outro lado, o número de pessoas localizadas cresceu 6,42%.
Lewandowski defendeu a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública, que está em discussão no Congresso. A medida deve padronizar os dados entre as polícias estaduais e criar uma base nacional unificada. “A ausência de dados integrados ainda é um obstáculo para o diagnóstico e o planejamento de políticas públicas mais eficazes”, concluiu o ministro.
Fonte: Agência Brasil



