Ministro da Fazenda é chamado de “moleque” por Carlos Jordy e sessão é interrompida após tumulto entre deputados
O que deveria ser uma audiência técnica sobre medidas de compensação fiscal acabou em tumulto e bate-boca. Após quase três horas de discussões acaloradas, a audiência pública com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi encerrada precocemente nesta quarta-feira (10), em meio a um clima tenso entre parlamentares do governo e da oposição na Câmara dos Deputados.
A sessão, que ocorria de forma conjunta nas Comissões de Finanças e Tributação e de Fiscalização Financeira e Controle, tinha como objetivo discutir os efeitos do aumento do IOF e as medidas para compensar seu impacto. No entanto, o debate técnico rapidamente deu lugar a provocações políticas, principalmente após declarações inflamadas dos deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Carlos Jordy (PL-RJ).
Ataques, saídas estratégicas e “molecagem”
Durante a segunda rodada de perguntas, os parlamentares do PL acusaram o governo de “gastança” e afirmaram que as medidas econômicas não são suficientes para conter o déficit público. Apesar das críticas, ambos deixaram o plenário sem esperar a resposta de Haddad.
Ao ter a palavra, o ministro rebateu os ataques com firmeza e classificou a atitude dos deputados como “molecagem”:
“Agora aparecem dois deputados, fazem as perguntas e correm do debate. Nikolas sumiu, só veio aqui para aparecer. Não quer ouvir explicação, quer ficar com o argumento dele. Isso não é bom para a democracia”, criticou Haddad.
A fala provocou forte reação. Na terceira rodada de perguntas, Carlos Jordy retornou ao plenário exigindo direito de resposta. Em tom agressivo, atacou diretamente o ministro:
“Moleque é você, ministro! Aceitou um cargo dessa magnitude tendo feito só dois meses de economia. Moleque é você, que ajudou a criar o maior déficit da história. O governo Lula é pior do que uma pandemia”, disparou.
Em seguida, Nikolas Ferreira tentou intervir com uma questão de ordem, mas foi barrado pelo presidente da audiência, Rogério Correia (PT-MG), o que gerou um novo bate-boca, agora envolvendo também o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP).
Sem clima para continuidade e após repetidos apelos por ordem, Correia encerrou a audiência antes do início da terceira rodada de perguntas.
Disputa de narrativas sobre as contas públicas
Antes da confusão, Haddad aproveitou o tempo de fala para rebater críticas sobre a situação fiscal do país e descontruir o “superávit” de 2022, último ano do governo Bolsonaro.
Segundo ele, o resultado positivo naquele ano foi artificial e construído à base de:
- Adiantamento de receitas, como o pagamento recorde de R$ 200 bilhões em dividendos da Petrobras;
- Atraso no pagamento de precatórios, empurrando dívidas para o governo atual;
- Privatização da Eletrobras por valor abaixo do mercado;
- Redução forçada do ICMS sobre combustíveis, que gerou perda de arrecadação estimada em R$ 30 bilhões, devolvida aos estados em 2023.
“O superávit de 2022 foi feito com medidas que comprometeram o equilíbrio fiscal nos anos seguintes”, afirmou Haddad.
A audiência desta quarta não apenas revelou o clima de tensão política entre o governo e a oposição, mas também expôs o quanto o debate sobre responsabilidade fiscal tem sido usado como munição ideológica dentro do Congresso. A sessão terminou em caos e sem consenso.
*Com informações da Agência Brasil



