Depoimentos confirmam minuta, plano de prisão de Moraes e interferência da PRF
O Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu nesta segunda-feira (2) a fase de oitivas de testemunhas na ação penal que investiga Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Foram ouvidas 51 testemunhas em duas semanas de sessões intensas, que confirmaram a existência de um plano golpista articulado dentro do governo federal.
Os depoimentos reforçaram a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta Bolsonaro e sete aliados, entre eles generais como Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, como líderes do núcleo central da tentativa de subversão do resultado eleitoral. O general Freire Gomes, ex-comandante do Exército, confirmou que Bolsonaro apresentou uma minuta golpista às Forças Armadas e chegou a discutir a prisão do ministro Alexandre de Moraes. “Jamais mentiria. Me opus à proposta”, declarou, reafirmando o conteúdo já revelado à Polícia Federal.
Outro eixo da investigação que ganhou corpo nas oitivas foi a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante o segundo turno das eleições. Mesmo testemunhas da defesa reconheceram que houve uma operação “preventiva” para fiscalizar eleitores. Já o ex-coordenador de inteligência da PRF, Adiel Alcântara, foi mais incisivo: afirmou que houve ordens superiores para um “policiamento direcionado” contra eleitores de Lula no Nordeste, com o objetivo de dificultar seu deslocamento até as urnas.
Bolsonaro acompanhou todas as audiências por videoconferência. Embora não houvesse obrigação legal, sua presença reforça o caráter político da defesa, que tentou, sem sucesso, descredibilizar a acusação. Dos 82 depoimentos previstos inicialmente, a defesa abriu mão de 28, e muitos dos que prestaram esclarecimentos não tinham ligação direta com os fatos centrais da denúncia. Alguns, como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), foram usados apenas para afirmar que “nunca ouviram falar de golpe”.
A participação ativa de ministros do Supremo, como Luiz Fux, e a condução firme de Moraes marcaram uma fase fora do protocolo usual, revelando a gravidade do caso. Houve episódios de tensão, incluindo advertências por possível desacato a testemunhas da defesa.
Próxima fase
Com as oitivas encerradas, o processo entra agora na fase de interrogatório dos réus, incluindo o próprio Bolsonaro. Moraes definirá nos próximos dias as datas das audiências, que terão participação da PGR, das defesas e do STF.
A reta final da ação se aproxima com as principais acusações intactas e respaldadas por testemunhos. O país deve assistir, em breve, ao momento decisivo: Bolsonaro e aliados terão que responder, diretamente à Justiça, sobre seu papel nos bastidores da tentativa de ruptura democrática.
*Com informações do Brasil 247 e Portal Uol



